Rússia condena líder de oposição Navalny a cinco anos de prisão

Por iG São Paulo |

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Crítico do Kremlin era acusado de fraude; partidários do opositor alegam que julgamento teve motivação política

Alexei Navalny, um dos principais líderes da oposição da Rússia, foi condenado por fraude nesta quinta-feira (18) e sentenciado a cinco anos de prisão. Navalny e seus partidários alegam que o caso teve motivação política para tentar calar o crítico ao Kremlin e intimidar aqueles que o apoiam.

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AP
Líder da oposição russa Alexei Navalny sorri enquanto ouve o juiz durante seu julgamento em um tribunal de Kirov

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Navalny foi condenado sob a acusação de organizar um esquema para desviar pelo menos 16 milhões de rublos (US$ 494,4 mil) de uma empresa madeireira local na época em que era conselheiro do governador na região de Kirov em 2009. "O tribunal, após examinar o caso, estabeleceu que Navalny organizou um crime... o roubo de propriedade em uma escala particularmente grande", disse o juiz Sergei Blinov, ao ler a sentença.

O advogado de 37 anos ficou mexendo em seu smartphone durante boa parte das três horas e meia da leitura do veredicto. Uma postagem em sua conta no Twitter depois que a sentença foi pronunciada dizia: "Bem. Não se entediem sem mim. E, mais importante, não fiquem ociosos..."

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Navalny entregou seu telefone e seu relógio para a mulher, Yulia, antes que os meirinhos o levassem sob custódia. Navalny ganhou projeção internacional como autor de um blog de críticas ao governo e sobre corrupção. Ele foi o principal líder de uma onda massiva de protestos que tomaram conta da Rússia no final de 2011 após alegações de fraude na eleição parlamentar nacional.

Foi Navalny que chamou o dominante partido Rússia Unida de Putin como "o partido dos vigaristas e ladrões", frase que se tornou palavra de ordem para a nascente oposição ao presidente.

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Mais recentemente, ele elevou suas ambições e se declarou candidato na eleição municipal de Moscou. O chefe de sua campanha, Leonid Volkov, disse que a decisão de se retirar da disputa somente poderia ser tomada depois que Navalny for consultado.

Algumas dezenas de partidários de Navalny se reuniram do lado de fora da casa de detenção após o anúncio da sentença. "Se alguém espera que as investigações de Alexei serão interrompidas, estão enganados", disse a mulher do opostor.

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Catherine Ashton, chefe de política externa da União Europeia, disse que estava preocupada sobre a condenação e a sentença, dizendo em um testamento que as acusações não foram substanciosas durante o julgamento. "Esse desfecho, dadas as deficiências processuais, levanta sérios questionamentos quanto à situação do Estado de direito na Rússia."

Antes da sentença, partidários de Navalny prometeram marchar em Moscou caso ele fosse preso. Esse movimento pode provocar futuros confrontos com a polícia.

Com AP e Reuters

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