Itália: Ex-chefe da CIA em Milão é detido no Panamá por sequestro de imã egípcio

Por iG São Paulo |

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Robert Seldon Lady foi condenado à revelia pelo sequestro em 2003 do clérigo suspeito de terrorismo Abu Omar

AP
Clérigo egípcio Osama Hassan Mustafa Nasr, conhecido como Abu Omar, 44, mostra cicatriz escura em braço na 1ª aparição pública desde sua soltura no Egito (25/2/2007)

Um ex-chefe de uma base da CIA (Agência de Inteligência dos EUA) na Itália que foi condenado em 2003 pelo sequestro de um egípcio suspeito de terrorismo em uma rua de Milão foi detido no Panamá, disse o Ministério de Justiça italiano nesta quinta-feira.

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Robert Seldon Lady, o ex-chefe da sucursal da CIA em Milão, foi sentenciado a nove anos por uma corte de apelações italiana no início deste ano pelo caso de rendição extraordinária depois de ser julgado à revelia na Itália pelo sequestro de um clérigo muçulmano.

Os julgamentos de Lady, que desde então se aposentou da CIA, e de outros 22 americanos no caso culminaram nas primeiras condenações em qualquer lugar do mundo contra agentes envolvidos no programa de rendição extraordinária da agência, uma prática que supostamente levou à tortura.

O ministério disse que não tem imediatamente detalhes de quando ou onde no país da América Central Lady foi detido. Questionado se a Itália buscava a extradição de Lady, o ministério disse que a ministra Anna Maria Cancellieri estava em viagem à Lituânia e não poderia dizer imediatamente se tal pedido teve início.

O suspeito de terrorismo Osama Moustafa Hassan Nasr, também conhecido como Abu Omar, foi sequestrado em fevereiro de 2003, transferido para bases militares dos EUA, primeiramente na Itália, depois na Alemanha, antes de ser enviado ao Egito, onde ele alega ter sido torturado. Mais tarde, Nasr foi solto.

O governo italiano anterior disse que a extradição poderia ser pedida apenas por Lady, já que ela só pode ser requerida para pessoas sentenciadas a mais de quatro anos de prisão. Uma anistia de 2006 na Itália retira três anos de todas as sentenças emitidas por cortes italianas, significando que, se Lady voltar à Itália, enfrentaria seis anos de prisão.

*Com AP

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