México captura líder do cartel Los Zetas

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Treviño Morales é acusado de homicídio, sequestro e tortura; ele foi detido em uma estrada em Nuevo Laredo

AP
Miguel Ángel Treviño Morales em foto divulgada pelo Ministério do Interior mexicano

Miguel Ángel Treviño Morales, líder do temido cartel de drogas Los Zetas, foi capturado antes de amanhecer na segunda-feira (15) no que representa o primeiro grande golpe do governo mexicano contra um líder do crime organizado.

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Treviño Morales, 40 anos, foi capturado por marines mexicanos que interceptaram uma caminhonete que levava US$ 2 milhões em dinheiro em uma estrada de terra no interior do país, perto da cidade de Nuevo Laredo, que faz fronteira com os EUA, e que serviu durante muito tempo como base de operações dos Zetas.

A caminhonete foi impedida de seguir caminho por um helicóptero dos marines e Treviño Morales foi levado sob custódia juntamente com um guarda-costas e um contador. Oito armas também foram apreendidas com ele, segundo informou o porta-voz do governo Eduardo Sánchez.

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Segundo Sánchez, os marines estavam vigiando as estradas do interior entre a fronteira do Texas e dos Estados de Coahuila, Nuevo León e Tamaulipas por algum sinal de Treviño Morales, que é acusado de homicídio, tortura, sequestro, entre outros crimes.

O líder dos Zetas e seus supostos cúmplices foram levados à Cidade do México, onde devem ser julgados em sistema fechado, que normalmente leva anos para processar os casos.

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Treviño Morales, apelidado de "Z-40" é informalmente considerado como um dos dois maiores chefes de cartéis do México, o líder de um corpo de desertores das forças especiais que passaram a trabalhar para traficantes de drogas, que se espalhou por todo o país, expandindo as atividades de tráfico, extorsão, sequestro e tráfico de pessoas.

Os Zetas são responsáveis por algumas das piores atrocidades na guerra do tráfico mexicana, deixando centenas de corpos decaptados nas estradas, ou enforcados em pontes.

Assista ao vídeo sobre a captura:

Sob coordenação de Treviño Morales, 72 imigrantes da América do Sul e Central foram mortos pelos Zetas na cidade de San Fernando em 2010, segundo autoridades. No ano seguinte, autoridades federais anunciaram ter encontrado 193 corpos enterrados em San Fernando, a maioria deles de migrantes sequestrados em ônibus e mortos pelos Zetas por várias razões, entre elas, por se recusarem a trabalhar como mulas de drogas.

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Segundo Sánchez, Treviño Morales é acusado de ordenar o sequestro e o assassinato de 265 migrantes.

A prisão de Treviño Morales é uma entre uma longa lista de líderes dos Zetas que foram capturados ou mortos nos últimos anos, incluindo o chefe dos Zetas Heriberto Lazcano, cuja morte deixou Treviño Morales no comando. É esperado que Treviño Morales seja sucedido pro seu irmão, Omar, visto como uma liderança muito mais fraca.

Treviño Morales entrou para os Zetas no final dos anos 1990. Histórias de brutalidade sobre o "El Cuarenta" ou "40", como Treviño Morales foi apelidado, logo ficaram rapidamente conhecidas entre seus homens, seus rivais e os cidadãos de Nuevo Laredo.

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Por volta de 2005, Treviño Morales foi promovido a chefe do território de Nuevo Laredo, ou "praça", e a ele foi dada a responsabilidade de combater o cartel Sinaloa, que tentava controlar as rotas do tráfico, segundo autoridades dos EUA e do México. Ele orquestrou uma série de assassinatos do lado americano da fronteira.

Em 2006, os Zetas, que ainda trabalhava com o cartel do Golfo, derrotaram o cartel Sinaloa em Nuevo Laredo, uma vitória que os encorajava à medida que ampliavam sua presença para outras cidades. Eles estabeleceram redes criminosas para controlar as rotas do tráfico de drogas, migrantes, extorsão, sequestro, contrabando de DVDs e CDs piratas e outras atividades, intimidando residentes locais e cometendo assassinatos cruéis que servissem de exemplo.

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Segundo uma autoridade dos EUA, Treviño Morales estava no comando de Nuevo León, Piedras Negras e outras regiões até março de 2007, quando foi enviado para a cidade de Veracruz após a morte de um dos líderes do cartel em um tiroteio.

Naquele mesmo ano, Treviño Morales e Lazcano começaram a lutar pela independência do cartel do Golfo depois que o chefe do grupo Osielo Cardenas Guillen ter sido extraditado para os EUA.

Em fevereiro de 2008, Lazcano mandou Treviño Morales para a Guatamela, onde ele era responsável por eliminar competidores locais e estabelecer o controle do Zetas em rotas de contrabando. Treviño Morales foi então nomeado por Lazcano como comandante nacional do Zetas. A promoção envolvia Treviño Morales virtualmente em todas as decisões do grupo.

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Treviño alcançou o topo da organização no ano passado depois que Lazcano morreu em um tiroteio com marines mexicanos no Estado de Coahuila. Treviño Morales foi indiciado por tráfico de drogas e de armas em Nova York em 2009 e em Washington em 2010, e o governo americano oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem a sua prisão.

Com AP

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