Líder islâmico é condenado por crimes de guerra em Bangladesh

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ghulam Azam foi sentenciado a 90 anos de prisão por crimes cometidos durante guerra de independência em 71

O ex-líder de um partido islâmico de Bangladesh foi sentenciado a 90 anos de prisão nesta segunda-feira (15) por crimes de lesa humanidade durante a guerra da independência do país em 1971, irritando seus partidários, que afirmam que o julgamento teve motivação política, e seus opositores, que dizem que ele deveria ser executado.

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Ativistas protestam contra veredicto de Ghulam Azam em Daca, Bangladesh

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Um tribunal especial formado por três juízes anunciaram a decisão contra Ghulam Azam, 91 anos, em Daca, capital do país. O painel de magistrados disse que o ex-líder do partido Jamaat-e-Islami merecia pena de morte, mas recebeu uma sentença na prisão por causa de sua idade avançada e o estado de saúde crítico.

Azam estava no banco dos réus quando o veredicto foi anunciado, enquanto manifestantes do lado de fora do tribunal exigiam sua execução. A defesa e a acusação disseram que vão recorrer da decisão.

Azam liderou o Jamaat-e-Islami em 1971 quando Bangladesh se tornou independente do Paquistão após uma sangrenta guerra. Ele estava entre os vários líderes do partido condenados por um tribunal formado em 2010 pelo governo da primeira-ministra Sheikh Hasina que julgou os acusados por colaborar com o Exército do Paquistão durante o conflito.

Bangladesh afirma que o Exército paquistanês deixou 3 milhões de mortos e estuprou 200 mil mulheres durante os nove meses de guerra, e cerca de 10 milhões buscaram abrigo na fronteira com a Índia.

Azam comandou o partido até 2000 e ainda é considerado um líder espiritual. Jamaat-e-Islami alega que o julgamento de Azam e de outros teve motivação política, o que é negado pelas autoridades. O partido convocou uma paralisação nacional depois que o tribunal anunciou domingo que daria seu veredicto na segunda-feira.

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Ex-líder de partido islâmico de Bangladesh Ghulam Azam é escoltado por seguranças a uma corte em Daca

Veredictos anteriores provocaram protestos violentos e alguns jornais, incluindo o Daily Star, informaram que ao menos três ativistas do Jamaat-e-Islami foram mortos em Bangladesh nesta segunda-feira. Dois deles apanharam até a morte por ativistas da oposição no distrito de Kushtia, ao sul, enquanto tentavam bloquear uma rodovia. O terceiro foi morto no distrito Chapainawabganj, a noroeste, quando guardas da fronteira abriram fogo depois de uma bomba ter sido jogada contra a polícia.

Em Daca, a polícia entrou em confronto com partidários do partido enquanto ativistas colocavam fogo em alguns veículos, segundo informou o jornal Prothom Alo.

O tribunal decidiu que Azam era culpado de todas as 61 acusações que pesavam contra ele em cinco categorias: conspiração, incitação, planejamento, cumplicidade e fracasso em evitar assassinatos.

Ele e seu partido foram acusados de treinar brigadas de cidadãos para cometer genocídio e outros crimes sérios contra combatentes pró-independência durante a guerra.

Azam fez campanha aberta contra a criação de Bangladesh e viajou para vários países do Oriente Médio para buscar apoio em favor do Paquistão. Ele se encontrava com frequência com autoridades paquistanesas durante o conflito.

Com AP

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