Absolvição de acusado de matar adolescente negro provoca protestos nos EUA

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Departamento de Justiça tentará enquadrar o vigilante George Zimmerman por matar Trayvon Martin em 2012

Manifestantes foram às ruas nos EUA no domingo (14) e na manhã desta segunda-feira (15) após o vigilante George Zimmerman ter sido absolvido por assassinar um jovem negro desarmado. A maioria dos protestos foi pacífica e pedia justiça para a família de Trayvon Martin, 17 anos, além de questionar o sistema legal.

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AP
Manifestante com placa senta na esquina do boulevard Crenshaw e a rua Coliseum durante manifestação em Los Angeles

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A maior manifestação aconteceu em Nova York, onde uma pequena marcha atraiu mais manifestantes e se transformou em uma passeata de milhares. No domingo, o presidente dos EUA, Barack Obama, pediu calma e reflexão após o veredicto. Ele reconheceu que o caso provocava "fortes paixões", mas disse: "Somos uma nação de leis, e um júri fez uma decisão."

O Departamento de Justiça afirmou que investiga se Zimmerman pode ser julgado por outras acusações. O vigilante havia sido acusado de homicídio duplamente qualificado por causa da morte do adolescente em 2012.

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A absolvição foi declarada na noite de sábado, provocando protestos em diversas cidades americanas, incluindo São Francisco, Filadélfia, Chicago, Washington, Boston, San Diego e Atlanta. Em Nova York, na noite de domingo, uma multidão marchou pela Times Square gritando: "Justiça para Trayvon Martin!"

Em Los Angeles, os manifestantes bloquearam o trânsito e várias rodovias ficaram fechadas. Foram registrados casos de violência, com manifestantes atirando pedras contra policiais, segundo o LA Times.

A polícia tentou manter a multidão em trajetos organizados, mas os manifestantes abriram caminho em frente a escritórios na praça. "Eu sinto que se não intensificarmos (os protestos) teremos problemas", disse Prince Akeem, 20 anos, morador do Bronx. "Jovens negros são o alvo e temos que nos levantar, nos levantar contra os policiais."

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Rand Powdrill, 41 anos, disse que foi a São Francisco marchar com outros 400 para "protestar contra a execução de um adolescente negro inocente". "Se as nossas vozes não podem ser ouvidas, isso terá que continuar", disse.

Muitos, incluindo os pais de Trayvon Martin, disseram que Zimmerman teve um comportamento racista contra o jovem. Zimmerman, cuja mãe nasceu no Peru, é identificado como hispânico.

Assista ao vídeo sobre o caso:

Durante o julgamento, a família de Martin manteve que o adolescente não era um agressor, e os promotores sugeriram que ele estava assustado por estar sendo perseguido por um estranho. Os advogados de defesa, no entanto, disseram que Martin bateu em Zimmerman e batia a cabeça de Zimmerman contra o meio-fio e por isso o vigilante disparou a arma.

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O Departamento de Justiça abriu uma investigação sobre a morte de Martin no ano passado, mas ficou de lado durante o processo, permitindo que a corte do Estado desse prosseguimento ao caso.

Em um comunicado divulgado no domingo, o Departamento de Justiça disse que uma seção criminal da sua divisão de direitos civis, o FBI e o gabinete local da promotoria federal continuam a avaliar as evidências.

O departamento possui um longo histórico em usar o código de direitos civis federal em um esforço para condenar réus previamente absolvidos em casos cuidados na esfera dos Estados. Mas na maioria dos casos, o réu não é condenado.

Alan Vinegrad, um ex-promotor americano, disse que os procuradores "teriam que mostrar não somente que o ataque fora injustificado, mas que Zimmerman atacou Martin por motivações raciais".

O tribunal não divulgou o perfil racial das seis pessoas que compuseram o júri, mas, segundo repórteres, o painel era formado por cinco mulheres brancas e uma sexta aparentemente histânica. Os jurados não falaram com os jornalistas após o veredicto.

Com BBC e AP

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