Tribunal de Haia retoma acusação de genocídio contra Karadzic

Por iG São Paulo |

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Ex-líder sérvio-bósnio é acusado de promover campanha de assassinatos de não sérvios na Guerra da Bósnia

O Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia decidiu nesta quinta-feira (11) restabelecer a acusação de genocídio contra o ex-líder político sérvio-bósnio Radovan Karadzic, em relação a uma campanha de assassinatos e maus tratos contra não sérvios durante o início da Guerra da Bósnia em 1992.

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AP
Ex-líder bósnio-sérvio Radovan Karadzic se senta no Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia em Haia, Holanda

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A decisão reverteu a absolvição do ex-líder político no ano passado em uma das duas acusações de genocídio que ele enfrenta, mas não equivale a uma condenação.

O juiz que presidiu a sessão Theodor Meron afirmou que o painel de magistrados acredita que as provas apresentadas pela acusação no julgamento "poderiam indicar que Karadzic possuía intenção genocida" durante a campanha de 1992 com objetivo de expulsar muçulmanos e croatas de cidades e aldeias reivindicadas pelos sérvios como seu território.

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A decisão do tribunal de Haia ocorreu no mesmo dia em que sobreviventes da guerra se reuniram em Srebrenica para marcar o 18º aniversário do massacre enterrando novamente os restos mortais que estavam em valas comuns de 409 vítimas recém-identificadas.

O julgamento de Karadzic começou em 2009 e promotores deram uma pausa no seu caso no ano passado. Karadzic, que defende a si mesmo no tribunal, pediu absolvição de todas as 11 acusações que pesam contra ele, dizendo que as evidências eram insuficientes para condená-lo.

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Os juízes rejeitaram seu pedido em relação a todas as acusações exceto a de genocídio em relação aos assassinatos e maus tratos dos não sérvios em 1992 - acusação esta que agora foi retomada.

Karadzic também argumentou que retomar a acusação iria "interromper o julgamento em curso... e representaria um uso irresponsável do dinheiro público", segundo informou Meron.

O ex-líder de 68 anos não demonstrou nenhuma emoção enquanto Meron ordenava que ele ficasse diante da corte e leu a decisão de que a acusação havia sido restabelecida.

Peter Robinson, um advogado americano que ajuda Karadzic com sua defesa, disse que seu cliente estava decepcionado com a decisão do painel de cinco juízes.

Com AP

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