Países árabes dão US$ 8 bi ao Egito em demonstração de força ao Exército

Por Reuters |

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Governos da região apoiam o afastamento da Irmandade Muçulmana do poder no Egito

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AP
Com a bandeira nacional, partidário do presidente deposto Mohammed Morsi gesticula para soldados perante o prédio da Guarda Republicana em Nasr City, Cairo, Egito (9/7)

Governos árabes deram 8 bilhões de dólares ao Egito na terça-feira, manifestando seu apoio à intervenção do Exército para afastar a Irmandade Muçulmana do poder, e um dia depois de militares matarem dezenas de apoiadores do movimento islâmico.

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O presidente interino Adli Mansour, nomeado pelos militares, apontou um economista liberal como primeiro-ministro em exercício, e anunciou um cronograma mais rápido do que se esperava para a realização de eleições dentro de seis meses.

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O Exército, que na quarta-feira depôs o primeiro presidente livremente eleito na história egípcia, está sob pressão para apresentar um plano claro de redemocratização.

O país vive agora o seu momento de maior polarização na história moderna, depois que militares abriram fogo contra manifestantes pró-Irmandade no Cairo, matando 55 pessoas. O movimento diz que as vítimas estavam rezando pacificamente; o governo afirma que os militares reagiram a um ataque.

Veja as imagens da tensão no país desde a queda de Morsi:

Forças de segurança do Egito fazem guarda em frente da Universidade Islâmica Al-Azhar no Cairo (30/10). Foto: APForças de segurança do Egito e civis seguram um partidário do presidente deposto Mohammed Morsi perto da Praça Ramsis, no Cairo (7/10). Foto: APConfrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos (6/10). Foto: Amr Abdallah Dalsh/ReutersPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi gritaram palavras de ordem contra o ministro da Defesa do país durante marcha (4/10). Foto: APForças de segurança do Egito protegem o corpo do General Nabil Farrag morto por militantes que abriram fogo em Kerdasa  (19/9). Foto: APPartidários do presidente egípcio deposto Mohammed Morsi protestam em Nasr City, no Cairo (13/9). Foto: APExército do Egito ataca militantes islâmicos no norte do Sinai (7/9). Foto: APPessoas observam carro queimando momentos depois que um atentado à bomba atingiu o comboio do ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim (5/9). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi cobram para se proteger de gás lacrimogêneo lançado por polícia no Cairo, Egito (30/8). Foto: APManifestantes que apoiam o líder deposto Mohammed Morsi ajudam ferido perto de Praça Ramsés, no Cairo (16/8). Foto: ReutersPartidário de Mohammed Morsi se desespera enquanto amigo que foi ferido pelas forças de segurança recebe tratamento em mesquita no Cairo, Egito (16/8). Foto: NYTEgípcios velam corpos de seus parentes mortos em massacre de quarta-feira na mesquita Al-Fath, no Cairo (16/8). Foto: APCivil carregando uma arma observa movimento da rua no bairro de Zamalek no Cairo, Egito (16/8). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi gritam palavras de ordem contra Exército durante confrontos no bairro de Mohandessin, no Egito (14/8). Foto: APForças de segurança do Egito prende manifestantes durante remoção de acampamento de partidários do islamita Mohammed Morsi em Nasr City, Cairo (14/8). Foto: APHomem é ferido durante confronto no Egito (27/7). Foto: APPartidários do chefe do Exército egípcio, general Abdel-Fatah el-Sissi, se manifestam em ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APHomem de joelhos agita bandeiras do Egito  em uma ponte que leva à Praça Tahrir, no Cairo (26/7). Foto: APOpositores do presidente deposto Mohammed Morsi carregam amigo ferigo em confrontos com partidários de Morsi no Cairo (23/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi queimam pôsteres com sua foto durante confrontos no Cairo, Egito (22/03). Foto: APEgípcio com uma pistola e opositores do presidente Mohammed Morsi detêm um suposto partidário de Morsi que foi ferido em confrontos no Cairo (22/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi jogam pedras em opositores de Morsi durante confrontos em uma ponte no centro do Cairo (15/7). Foto: APMembros da Irmandade Muçulmana protestam com máscaras de Morsi no Cairo, no Egito (13/7) . Foto: ReutersPartidária de Mohammed Morsi coloca faixa na cabeça (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi rezam depois da quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadã em Nasr City, Cairo, Egito (12/7). Foto: APPartidários do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi seguram seus cartazes em protesto perto da Universidade do Cairo, no Egito (12/7). Foto: APVoluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7). Foto: APEgípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7). Foto: APHomem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7). Foto: APMédico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7). Foto: APCorpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7). Foto: APHomem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7). Foto: APOponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7). Foto: APOponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7). Foto: ReutersPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: Reuters

Mansour, juiz do tribunal supremo empossado para ocupar a presidência após a derrubada de Mohamed Morsi, nomeou Hazem el Beblawi como primeiro-ministro-interino. Mohamed ElBaradei, ex-chefe da agência nuclear da ONU, hoje dirigente de um partido liberal, será o vice-presidente encarregado de assuntos estrangeiros.

A indicação de Beblawi contou com o importante apoio do partido islâmico ultraortodoxo Nour, ex-aliado de Mursi e da Irmandade. Líderes do Nour vêm sendo cortejados pelas autoridades da Irmandade para mostrar que os muçulmanos não precisam ser marginalizados.

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A violência da segunda-feira causou alarme entre doadores importantes, como EUA e União Europeia, e também em Israel, país com o qual o Egito selou a paz em 1979.

As ricas nações árabes do golfo Pérsico, tradicionalmente desconfiadas da Irmandade Muçulmana, demonstraram menos restrições. Os Emirados Árabes Unidos ofereceram uma doação de 1 bilhão de dólares, e um empréstimo de 2 bilhões. A Arábia Saudita ofereceu 3 bilhões de dólares entre doações e empréstimos, e outros 2 bilhões de dólares em combustível.

Em outra demonstração de apoio, o chanceler dos Emirados, Abdullah bin Zayed, esteve no Egito na terça-feira. Foi a mais graduada autoridade estrangeira a visitar o país desde a derrubada de Morsi.

"Nem que matem todos nós"

Alegando atender ao anseio popular, depois de manifestações que reuniram milhões de pessoas, o Exército derrubou Morsi e suspendeu a Constituição um ano depois de ele assumir o cargo. A Irmandade diz que o golpe militar mostra que interesses arraigados jamais aceitarão as vitórias eleitorais do grupo islâmico, que teme agora ser novamente alvo de repressão, como ocorreu durante décadas de regimes autocráticos.

"O único mapa do caminho é a restauração do presidente eleito pelo povo", disse Hoda Ghaneya, 45 anos, ativista da Irmandade. "Não vamos aceitar menos do que isso. Nem que matem todos nós".

Milhares de partidários de Mursi se reuniram na terça-feira numa vigília perto de uma mesquita na zona nordeste do Cairo, onde pretendem permanecer acampados, apesar do forte calor, até que o presidente seja restituído ao cargo - algo que a esta altura parece improvável.

"Revolucionários! Gente livre! Vamos completar a jornada!", gritava um orador enquanto a multidão carregava um caixão de madeira envolto na bandeira egípcia. A vigília-comício durou até de noite, com sucessivos oradores pedindo a restauração de Mursi, que está preso em um quartel.

Milhares de partidários da Irmandade também saíram às ruas em Alexandria (norte), segunda maior cidade do país, cenário de episódios violentos nos últimos dias.

Fontes médicas confirmaram que pelo menos 55 pessoas foram mortas no final da tarde segunda-feira em frente ao quartel do Cairo onde Mursi está preso, elevando o número oficial de vítimas do incidente - o mais letal no Egito em dois anos e meio de turbulência política, excetuando-se um tumulto em um estádio de futebol em 2012.

As autoridades abriram inquérito contra 650 manifestantes acusados de cometerem crimes, e a imprensa, majoritariamente controlada pelo Estado, elogiou a ação do Exército e denunciou a violência da segunda-feira como resultado da ação de "terroristas".

A Anistia Internacional disse que, independentemente de terem ocorrido provocações, os militares são culpados por usarem uma "força flagrantemente desproporcional".

Mas, num sinal das profundas divisões, a maioria dos moradores do Cairo parecia aceitar a versão oficial e culpava a Irmandade pela morte de seus próprios membros. "É claro que condeno isso - egípcio contra egípcio. Mas o povo atacou o Exército, não o contrário", disse Abdullah Abdel Rayal, de 58 anos, que fazia compras em uma feira no centro do Cairo na terça-feira de manhã.

Nas sacadas de alguns edifícios, moradores penduraram cartazes com retratos do general Abdel Fattah al Sisi, comandante militar que destituiu Morsi.

Em pronunciamento que antecede ao início do mês islâmico sagrado do Ramadã, na quarta-feira, Sisi deixou claro quem manda no país. "Nenhum partido tem o direito de se opor ao desejo da nação", afirmou.

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