O 'Barômetro Global da Corrupção' é a maior pesquisa desse tipo já realizada pela TI, que tem sede em Berlim

Reuters

A maioria da população mundial considera que a corrupção piorou nos últimos dois anos e que seus governos estão menos eficazes no seu combate desde a crise financeira de 2008, segundo pesquisa divulgada na terça-feira pela entidade Transparência Internacional (TI).

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O "Barômetro Global da Corrupção" é a maior pesquisa desse tipo já realizada pela TI, que tem sede em Berlim. Foram entrevistadas 114 mil pessoas em 107 países.

Manifestantes pedem fim de corrupção
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Manifestantes pedem fim de corrupção

Os partidos políticos foram considerados como as instituições mais corruptas, com nota 3,8 em uma escala na qual de 1 a 5 (quanto maior a nota, maior a percepção de corrupção).

Só 23% dos entrevistados consideram que os esforços dos seus governos para enfrentar a corrupção foram eficazes. Em 2008, 32% tinham tal opinião.

"Os próprios políticos têm muito a fazer para recuperar a confiança", disse a TI em nota. "(O barômetro) mostra uma crise de confiança na política e uma real preocupação sobre a capacidade dessas instituições responsáveis por levarem os criminosos à Justiça."

A segunda instituição mais corrupta em nível global é a polícia, com nota 3,7. Empatadas em seguida estão três categorias de instituições com nota 3,6: funcionários públicos, Legislativos e Judiciários.

A mídia até que não foi tão mal, ficando em 9º lugar (de um total de 12 categorias), com nota 3,1. Mas na Grã-Bretanha, onde as instituições foram abaladas pela revelação de espionagem disseminada por parte de jornais pertencentes ao empresário Rupert Murdoch, o percentual de entrevistados que vê a mídia como a instituição mais corrupta saltou de 39% há três anos para 69% agora.

Na Austrália, terra natal de Murdoch, a mídia também foi identificada como a instituição mais corrupta.

O setor privado e os serviços de saúde ficaram com nota 3,3 na pesquisa, e o sistema educacional veio em seguida, com 3,2. Os militares aparecem em décimo lugar (nota 2,9), seguidos pelas ONGs (2,7) e as instituições religiosas, vistas como as menos corruptas, com nota 2,6.

A TI observou, no entanto, que os entes religiosos são considerados altamente corruptos em alguns países, especialmente Israel, Japão, Sudão e Sudão do Sul, onde ficaram com nota superior a 4.

A Transparência Internacional é uma organização global que faz campanhas contra a corrupção, com presença em 90 países.

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