Adversários do presidente deposto Mohammed Morsi se concentraram na praça Tahir

Reuters

Oponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7)
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Oponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7)

Centenas de milhares de partidários e adversários do presidente deposto do Egito , Mohamed Morsi, juntaram-se no Cairo e em Alexandria neste domingo (7), dois dias depois de manifestações resultarem na morte de mais de 30 pessoas.

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A enorme multidão, que deve ficar nas ruas até de madrugada, aumentou o risco de mais violência. Os adversários de Morsi reuniram-se na praça Tahir, no Cairo, e no palácio presidencial em uma atmosfera festiva. Diferente de sexta-feira, não houve confronto com soldados.

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Os que apóiam Morsi e a Irmandade Muçulmana concentraram-se em um grande número de pessoas no lado de fora de uma mesquita no nordeste da cidade e da sede da Guarda Republicana, onde Morsi estava detido. Três pessoas foram mortas na sexta-feira.

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"Não vamos sair até Morsi retornar. Do contrário, vamos morrer como mártires", disse Hanin Ahmad Ali Al-Sawi, de 55 anos, vestindo um véu para cobrir a face sob um forte sol, enquanto soldados e policiais o observavam por trás de um arame farpado. Ela estava no local com seus cinco filhos nos últimos cinco dias.

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Morsi foi deposto na última quarta-feira em uma movimentação dos militares, que negaram se tratar de um golpe de estado. O exército disse que se prontificou a acatar o desejo de milhões de egípcios que se juntaram em 30 de junho exigindo a renúncia.

A queda de Morsi gerou cenas de júbilo, mas também irritou muçulmanos que organizaram protestos na sexta-feira em que cerca de 1,4 mil pessoas foram feridas, além das mortes.

Em Alexandria, onde 14 pessoas morreram na sexta-feira, houve novos confrontos, mas não há informações de fatalidades.

Aliados do Egito no ocidente, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, principais parceiros financeiros, e em Israel, que tem um tratado de paz com o Egito mediado pelos EUA desde 1979, estão alarmados com a situação.

À medida que a escuridão tomou conta da cidade, manifestações anti-Morsi tomaram conta da praça Tahir, berço dos protestos que o derrubaram, com mais de 350 mil pessoas, que se dividiram pelas ruas adjacentes.

Houve muitos gritos de celebração quando jatos militares deixaram um rastro no céu em formato de coração acima da praça, uma tática que está sendo aplicada por eles nos últimos três dias para reforçar autoridade. Um grupo de músicos folk tocaram bateria darabukka e flauta mizmar em uma atmosfera de felicidade.

No outro lado da cidade, dezenas de milhares de outros protestantes contra a Irmandade Muçulmana juntaram-se na porta do palácio presidencial.

Mohamed Manndouh, um estudante de administração de 21 anos, explicou o sentimento de muitos que apoiam a intervenção militar. "Eu vim protestar porque rejeito o terror da Irmandade", disse, próximo à praça Tahrir.

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