Alegações sobre programa de monitoramento são 'inexatas', diz França

Por iG São Paulo |

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Porta-voz do premiê do país minimiza reportagem sobre armazenamento de milhões de dados pelo governo

Autoridades francesas minimizaram as alegações de que suas agências de inteligência criaram uma rede de coleta de dados eletrônicos de amplo alcance. Um porta-voz do premiê Jean-Marc Ayrault disse que a reportagem do Le Monde era "inexata".

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Sem citar fontes, o jornal afirma que a francesa Direction Générale de la Sécurité Extérieure (DGSE), a agência de inteligência do país, sistematicamente coleta informações sobre todos os dados eletrônicos enviados por computadores e telefones na França, bem como comunicações entre a França e o exterior.

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Segundo o Le Monde, dados de "todos os emails, mensagens de celular, ligações de telefone, e postagens de Twitter e Facebook" são coletados e armazenados em um bunker subterrâneo de três andares na sede da DGSE em Paris. O jornal especificou que são os metadados das comunicações - como, quando a ligação foi feita ou onde o autor de um email estava quando enviou a mensagem - que são arquivados, e não o seu conteúdo.

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"Varios serviços de monitoramento são realizados por razões de segurança", disse uma autoridade do gabinete do primeiro-ministro à agência France Presse. Segundo a autoridade, a informação poderia apenas ser acessada "se o primeiro-ministro decidisse fazê-lo após avisar a CNCIS", a Comissão Nacional e Controle de Interceptações de Segurança.

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O Le Monde confirmou sua reportagem nesta sexta-feira com um editorial que afirmava: "O Bin laden nutriu o Big Brother". A publicação afirma que era necessária uma fiscalização jurídica e parlamentar para "restringir o imenso poder que o governo adquiriu sobre nossas vidas privadas".

O vasto arquivo que, segundo o Le Monde, possui dezenas de milhões de gigabytes é acessível a outras agências de inteligência da França, incluindo a inteligência do Exército, a inteligência doméstica, a polícia de Paris e uma força especial para crimes financeiros.

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O Le Monde comparou a rede de dados francesa ao Prism, o programa da Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês) dos EUA.

O programa de monitoramento americano chegou a conhecimento do público através de Edward Snowden, ex-contratado da NSA que vazou aos jornais The Guardian e The Washington Post documentos que comprovariam a coleta de dados de provedores online incluindo email, serviços de chats, vídeos, fotos, dados armazenados, transferências de arquivos, videoconferências e logins.

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Mas o Prism parece estar concentrado em permitir que espiões americanos coletem os dados de servidores de nove empresas gigantes da internet, enquanto o programa descrito pelo Le Monde aparentemente seja alimentado por meio de intercepção em massa de dados eletrônicos ao redor do mundo. Outra diferença é que o Prism pode, supostamente, ser usado para coletar conteúdos, e não apenas metadados.

Com BBC

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