Rússia critica três países da UE por forçar desvio de avião de líder boliviano

Por iG São Paulo |

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Aeronave foi desviada para a Áustria por suspeita de levar delator dos EUA; Unasul debate caso nesta quinta-feira

A Rússia criticou França, Espanha e Portugal nesta quinta-feira por forçar o desvio do avião do presidente boliviano, Evo Morales, que viajava na terça de Moscou para La Paz por causa de suspeitas de que o ex-funcionário da agência de espionagem dos EUA Edward Snowden estivesse a bordo.

Terça: Avião de Morales é desviado por suspeita de levar Snowden

Quarta: Dilma repudia retenção de avião de Evo

AP
Presidente da Bolívia, Evo Morales, é recebido ao chegar em El Alto depois de uma parada não esperada de 14 horas em Viena (3/7)

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Não há nenhuma evidência de que Snowden estivesse no avião e, após as recusas iniciais para deixar a aeronave entrar no espaço desses países da União Europeia (UE), Evo conseguiu voltar à Bolívia na noite de quarta após uma escala forçada na Áustria. O presidente boliviano foi recebido por uma banda militar e ganhou um colar de flores ao chegar ao aeroporto de La Paz em uma noite fria, na qual centenas de partidários apertaram sua mão e jogaram pétalas brancas.

"As ações das autoridades de França, Espanha e Portugal dificilmente podem ser consideradas ações amigáveis para com a Bolívia", afirmou o Ministério das Relações Exteriores russo em comunicado publicado em seu site. "A Rússia apela à comunidade internacional a cumprir rigorosamente os princípios legais internacionais", disse.

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Evo participou de uma cúpula de países exportadores de gás natural em Moscou, onde autoridades russas dizem que Snowden está em um limbo legal na zona de trânsito do aeroporto de Moscou após chegar de Hong Kong em 23 de junho com a esperança de receber asilo político em outro país.

Snowden fugiu dos EUA para Hong Kong em maio, poucas semanas antes da publicação nos jornais Guardian e Washington Post de detalhes fornecidos por ele sobre um programa secreto de vigilância de internet e tráfego de telefone por parte do governo dos EUA.

Denúncias pelo vazamento de Snowden:
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Evo havia dito em Moscou que estava disposto a avaliar o pedido de asilo de Snowden. "Detê-lo (o avião), desviá-lo, nos obrigar a fazer um pouso de emergência, não é apenas uma forma de atentar contra o presidente, mas. contra o continente", disse Evo no aeroporto após sua chegada. "Não posso entender que alguns países sejam fiéis servos, obedientes do imperialismo americano", acrescentou.

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O raro tratamento dado ao líder socialista, um crítico de Washington, levou alguns países a acusar a Casa Branca, que busca a extradição de Snowden, de estar por trás do incidente.

Está prevista para esta quinta uma reunião de emergência das 12 nações que formam a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) para discutir o "sequestro virtual" de Evo. A reunião será realizada em Cochabamba, Bolívia. Até a noite de quarta, seis presidentes confirmaram presença - Bolívia, Equador, Venezuela, Argentina, Uruguai e Suriname. "O resto das nações avisará seu nível de representação mais tarde", disse a Unasul.

*Com Reuters 

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