Países latino-americanos condenam retenção de Evo Morales

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Chefes de Estado da Unasul exigem explicação dos governos europeus que impediram sobrevoo de avião

Chefes de Estado do bloco sul-americano Unasul rejeitaram energeticamente nesta quarta-feira (3) o desvio que o avião que levava o presidente boliviano, Evo Morales, foi obrigado a fazer na Europa e exigiram explicações para este ato "inamistoso e injustificável".

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AP
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Em comunicado do governo peruano, que detém a presidência rotativa do bloco, os líderes da Unasul expressaram seu ultraje e indignação pela recusa da França e de Portugal de permitir que o avião de Morales pousasse nos territórios desses países na terça-feira.

A retenção do avião oficial teria se dado devido a suspeitas de que a aeronave transportava o americano Edward Snowden, um ex-funcionário da CIA que está foragido após ter delatado um sistema secreto de monitoramento de informações pessoais nos quais agentes da Agência Nacional de Segurança americana (NSA, na sigla em inglês) teriam acesso direto a servidores de nove grandes empresas de internet, incluindo Google, Microsoft, Facebook, Skype e Apple.

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A aeronave passou toda a noite em Viena, a capital da Áustria, onde pousou à noite, após vários países europeus terem lhe negado permissão para sobrevoar seus territórios.

Autoridades austríacas inspecionaram o avião do governo boliviano e não encontraram pessoas sem autorização a bordo, disse nesta quarta-feira o vice-chanceler da Áustria, Michael Spindelegger.

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O ex-funcionário da CIA, de 30 anos, estaria em uma área de trânsito do aeroporto Sheremetievo, em Moscou, há dez dias, desde que partiu de Hong Kong. Ele fez um pedido de asilo político a mais de 20 países, entre eles o Brasil. Segundo um porta-voz do Itamaraty, o governo brasileiro não tem, até o momento, a intenção de responder ao pedido.

Além de Bolívia e Brasil, Snowden teria feito pedidos de asilo político a Áustria, Finlândia, Índia, Irlanda, Noruega, Polônia, Espanha e Suiça, que teriam rejeitado sua solicitação. Os pedidos feito a Bolívia, China, Cuba, Equador, Alemanha, Islândia, Itália, Holanda e Nicarágua ainda estaria pendentes. França e Venezuela não confirmaram terem recebido solicitações de asilo feitas pelo americano.

Tema ausente

Evo Morales regressava de Moscou, onde se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin, e participou de um encontro de países produtores de gás.

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Passageiros comem em uma cafeteria diante de TV passando notícias sobre Edward Snowden no aeroporto Sheremetyevo, Moscou

O presidente da Bolívia disse não ter se encontrado com Snowden nem discutido com Putin um possível pedido de asilo político ao americano. Morales disse não ter recebido um pedido oficial, mas que, caso ele seja feito, não seria descartado.

O porta-voz do Ministério do Interior, Karl-Heinz Grundbock, disse à agência de notícias Efe que as autoridades austríacas descartam a hipótese de que Snowden estaria dentro do avião. O porta-voz disse que foi feito controle de passaporte de todos os passageiros do voo.

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"Não sabemos quem inventou esta grande mentira. Mas queremos denunciar à comunidade internacional essa injustiça com o avião do presidente", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca.

O embaixador boliviano na Organização das Nações Unidas (ONU), Sacha Llorentty Soliz, disse a jornalistas em Genebra, na Suíça, que não tinha nenhuma dúvida de que as ordens de desviar o avião vieram dos Estados Unidos.

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Durante uma entrevista concedida no aeroporto de Viena, Evo Morales disse ter recebido telefonemas de outros líderes latino-americanos que teriam expressado sua preocupação com o episódio e cogitado a possibilidade de tomar medidas retaliatórias.

Reações

Entre os líderes regionais que teriam telefonado para Morales estão Cristina Kirchner, da Argentina, Nicolás Maduro, da Venezuela, e Rafael Correa, do Equador.

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Morales afirmou que "Cristina me chamou várias vezes, com propostas legais, baseadas em tratados internacionais, especialmente o de Haia" e comentou ainda que Rafael Correa "está cogitando retirar os embaixadores (dos países que negaram sobrevoo a seu avião) da Aliança Bolivariana das Américas (a Alba, que reúne diversos páises da América Latina e Caribe)".

De acordo com autoridades bolivianas, entre os países que haviam imposto restrições a escalas e sobrevoos da aeronave oficial estão Portugal, França e Itália. A chancelaria boliviana afirmou que convocará para consultas os embaixadores da França e de Portugal em La Paz.

Em sua conta de Twitter, Cristina Kirchner publicou várias mensagens de apoio e com informações sobre a situação do boliviano. Em uma delas, afirmou: "Falei com Pepe (José Mujica, presidente do Uruguai). Ele está indignado. E tem razão. É tudo muito humilhante. Voltarei a falar com Rafa (Rafael Correa, presidente do Equador)".

Correa, por sua vez, na sua conta de Twitter, comentou: "Nossa América não pode tolerar tanto abuso. O que é com a Bolívia é com todos". O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, anunciou que vai pedir uma reunião extraordinária de ministros de Relaçôes Exteriores do bloco União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para tratar do caso.

AP
Presidentes russo, Vladimir Putin (E), e boliviano, Evo Morales, cumprimentam-se durante encontro no Kremlin, em Moscou

Com BBC e Reuters

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