Dilma repudia retenção de avião de Evo e diz que medida prejudica diálogo com UE

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Itamaraty chama de 'arrogante' decisão de países do bloco de bloquear avião por suspeita de levar delator dos EUA

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira que as restrições impostas ao avião do presidente da Bolívia, Evo Morales, por países europeus são inaceitáveis e comprometem as relações entre a América Latina e a União Europeia. 

Críticas: Países latino-americanos condenam retenção de Evo Morales

AP
Em La Paz, manifestante segura cartaz em que se lê 'França racista, hipócrita e fascista', em protesto contra retenção de avião de Evo Morales

Terça: Avião de Morales é desviado por suspeita de levar Snowden

O avião de Evo teve de fazer uma escala imprevista em Viena, na Áustria, na terça-feira, porque alguns países europeus - entre os quais estariam a França, Itália, Espanha e Portugal - negaram permissão para que a aeronave atravessasse seu espaço aéreo por suspeita de que estaria a bordo Edward Snowden, ex-funcionário de uma prestadora de serviços da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), que é procurado por Washington por ter vazado programas de monitoramento secretos americanos.

A aeronave passou toda a noite na capital da Áustria e só foi liberada após inspeções pela manhã. "Não sabemos quem inventou essa grande mentira (de que Snowden estaria no avião). Mas queremos denunciar à comunidade internacional essa injustiça com o avião do presidente", afirmou na terça o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca.

No limbo: Delator dos EUA desiste de asilo político na Rússia

Evo estava a caminho da Bolívia após participar de conferência em Moscou, onde Snowden está em um limbo legal na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetievo desde chegar à capital russa proveniente de Hong Kong em 23 de junho.

Washington anulou seu passaporte, e Snowden tenta conseguir asilo político em vários países para evitar ser extraditado aos EUA, onde responderá por vazar segredos de inteligência, como um programa secreto de vigilância de internet e tráfego de telefone por parte do governo dos EUA.

Denúncias pelo vazamento de Snowden:
Monitoramento: EUA mantêm ampla base de dados telefônicos
Prism: EUA coletam dados de nove empresas de internet
Jornal: EUA podem usar dados de inteligência sem mandado
Denúncia: Reino Unido espionou autoridades do G20 em 2009
Guerra cibernética: EUA espionam computadores da China
Diplomatas: Europa exige respostas sobre supostos grampos dos EUA

"O constrangimento ao presidente Morales atinge não só a Bolívia, mas toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nessa provocação", disse a presidente em nota divulgada pelo Palácio do Planalto.

A presidente classificou de "fantasiosa" a suspeita de que Snowden estivesse no avião e afirmou que a atitude colocou em risco a vida do presidente boliviano e de seus colaboradores.

"O governo brasileiro expressa sua mais ampla solidariedade ao presidente Evo Morales e encaminhará iniciativas em todas instâncias multilaterais, especialmente em nosso continente, para que situações como esta nunca mais se repitam", concluiu a presidente.

Em sua conta oficial no Twitter, o Itamaraty (Ministério de Relações Exteriores do Brasil) disse que repudia "a atitude arrogante por parte de países europeus" que negaram permissão ao avião do presidente da Bolívia. "A não autorização do sobrevoo causou surpresa, por não se coadunar com as práticas internacionais", afirmou o tuíte.

Pai: Delator voltaria aos EUA se não fosse preso antes do julgamento

O caso causou indignação, principalmente entre líderes latino-americanos. Cristina Kirchner, da Argentina, Nicolás Maduro, da Venezuela, e Rafael Correa, do Equador, ligaram para Evo para manifestar seu apoio.

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) realizará uma reunião ministerial em Lima, no Peru, na quinta-feira. Alguns presidentes latino-americanos também planejam visitar Cochabamba, na Bolívia, na quinta, em solidariedade a Evo. Segundo a assessoria da Presidência, se esse encontro presidencial ocorrer na quinta, Dilma não poderá comparecer por já ter compromissos agendados para o dia.

AP
Presidente da Bolívia, Evo Morales, conversa com repórteres no aeroporto Schwechat, em Viena

Evo disse que "Cristina me chamou várias vezes, com propostas de ações legais, baseadas em tratados internacionais, especialmente o de Haia" e comentou também que Correa "está cogitando retirar os embaixadores (dos países que negaram sobrevoo a seu avião) da Aliança Bolivariana das Américas (a Alba, que reúne diversos países da América Latina e Caribe)".

Por meio do Twitter, o Itamaraty anunciou que emitirá uma nota oficial comentando o caso e que atuará em coordenação com os demais países da Unasul para uma ação conjunta de repúdio.

Asilo

O ex-funcionário da CIA, de 30 anos, fez um pedido de asilo político a mais de 20 países, entre eles o Brasil. Segundo um porta-voz do Itamaraty, o governo brasileiro não tem, até o momento, a intenção de responder ao pedido.

Requerimento: Brasil rejeita responder a pedido de asilo de Snowden

Além de Bolívia e Brasil, Snowden teria feito pedidos de asilo político a Áustria, Finlândia, Índia, Irlanda, Noruega, Polônia, Espanha e Suíça, que teriam rejeitado sua solicitação.

Os pedidos feitos a Bolívia, China, Cuba, Equador, Alemanha, Islândia, Itália, Holanda e Nicarágua ainda estariam pendentes. França e Venezuela não confirmaram terem recebido solicitações de asilo feitas pelo americano.

*Com Agência Estado e BBC

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