'É a vontade de Deus', diz ex-mulher de Mandela

Por iG São Paulo |

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Internado desde 8 de junho, estado de saúde do ícone da luta antiapartheid permanece crítico, mas estável

A ex-mulher de Nelson Mandela visitou no domingo (30) o ícone da luta antiapartheid no hospítal em que ele está internado desde o dia 8 de junho, informou a agência SAPA. Winnie Madikizela-Mandela, que foi casada com o ex-presidente sul-africano de 1958 a 1996, descreveu a sensação de ver seu ex-marido lutando por sua vida em uma entrevista ao canal de TV britânico ITV News.

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"É extremamente doloroso vê-lo passar pelo que está passando agora. Mas é a vontade de Deus", disse Winnie Mandela a ITV. O estado de saúde de Mandela, 94 anos, permanece crítico, mas estável. Ele foi internado no mês passado para tratar, segundo o governo de uma recorrente infecção pulmonar.

A saúde de Mandela se deteriorou há uma semana, com parentes afirmando que sua saúde era "delicada" e "qualquer coisa é iminente". Mas Zindzi Mandela, uma das filhas do ex-presidente, afirmou a ITV entre suas visitas ao hospital que seu pai está alerta e reconhece quando uma pessoa diferente entra em seu quarto do hospital em Pretória.

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Não houve nenhuma atualização oficial do estado de saúde de Mandela desde que o presidente do país, Jacob Zuma, afirmou no sábado que a condição do líder continuava a mesma. No fim de semana, o arcebispo Desmond Tutu disse que os sul-africanos estavam rezando pelo "conforto e dignidade" de Mandela.

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Conforme seu estado de saúde piorou, sul-africanos se reuniram em vigílias do lado de fora do hospital, rezando e deixando mensagems ao homem a qual se referem como "tata", palavra da língua xhosa para pai.

Winnie Mandela descartou quaisquer sugestões de que a família estaria discutindo se desligaria os aparelhos que mantêm Mandela vivo. "Era um absurdo sugerir que precisávamos tomar a decisão de retirar os tubos", disse.

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Mandela se tornou um ícone internacional após suportar 27 anos na prisão por lutar contra o apartheid, sistema de segregação racial adotado no país por décadas. Ele foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul em 1994, quatro anos depois que foi libertado.

A primeira página do jornal sul-africano Sunday Times no início do mês passado mostrava a manchete: "É hora de deixá-lo partir", fala de um amigo do ex-presidente dizendo que o momento chegou para os sul-africanos darem adeus ao seu ídolo.

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"Uma vez que a família libertá-lo, o povo sul-africano a seguirá. Agradeceremos a Deus por ter-nos dado esse homem, e vamos libertá-lo também", disse Andrew Mlangeni ao jornal. Mas Zindzi Mandela afirmou a ITV que o que acontece agora está fora das mãos da família.

"Quando as pessoas dizem que a família tem que deixá-lo partir, dizemos: deixar o que? Na verdade, ele está decidindo o que acontece consigo. Isso é entre ele e seu criador. Não tem a ver conosco", disse.

Com agências internacionais

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