EUA pressionam por paz entre Israel e palestinos em meio à tensão regional

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel | - Atualizada às

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Pela quinta vez, Kerry visita Oriente Médio, mas situação no Egito e na Turquia dificulta perspectivas de acordo

O Oriente Médio tem cultura totalmente diferente da brasileira. Por isso, é tão difícil entender os acontecimentos. Exemplo: marcam este domingo como dia decisivo para a região. O partido israelense Likud realiza convenção para discutir a questão palestina e poder adotar resoluções que limitem a liberdade de agir do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, seu próprio líder. Está agendada para este mesmo dia manifestações de imprevisíveis consequências do povo egípcio contra seu governo.

Sexta: Opositores e partidários de Morsi marcham nas ruas do Cairo

AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry (E), reúne-se com o premiê israelense Benjamin Netanyahu em Jerusalé (27/06)

Análise: Israel e palestinos não têm apoio popular para alcançar paz

No fim da semana passada, o secretário de Estado americano, John Kerry, iniciou sua quinta viagem ao Oriente Médio desde que assumiu o cargo no segundo mandato de Barack Obama. O objetivo é promover a retomada das negociações de paz. Netanyahu não cansa de repetir que a solução do conflito é a ambição suprema do Estado judeu. Diretamente, ou por meio de seus assessores, Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, reafirma: aceita negociar a paz tendo como ponto de partida as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias (1967).

Na prática, os palestinos e Abbas deixam para ser negociada com Israel a margem ocidental do Rio Jordão, onde se concentram os assentamentos judaicos - cidades, campos agrícolas, indústrias, universidades construídos após o conflito de 1967. Sivan Shalom, vice-primeiro-ministro de Israel, declarou na manhã de quinta-feira que acatar isso equivaleria a ceder a todas as reivindicações palestinas antes de negociá-las, incluindo a retirada israelense da Cidade Velha de Jerusalém e o direito de retorno dos refugiados de 1948, que abandonaram suas casas quando Israel proclamou sua independência.

Infográfico: Saiba os principais fatos do conflito entre Israel e palestinos

Kerry, porém, aconselha Israel a tudo fazer para retomar negociações agora, pois o plano de Abbas é voltar em setembro à Assembleia-Geral da ONU, que no ano passado reconheceu implicitamente um Estado Palestino. Na Assembleia em Nova York, Abbas poderia obter número muito grande de apoios para as suas reivindições. A missão de Kerry não progedirá dessa vez, e não é possível prever quando isso acontecerá. O ambiente na região árabe é tenso. Não se pode rejeitar a hipótese de que um grupo mais radical provoque incidentes que levem a coisas piores.

Contra EUA e Israel: ONU reconhece de forma implícita Estado Palestino

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, tem suas origens ideológicas na Irmandade Muçulmana, nascida em 1928, quando o Egito era uma monarquia. A organização logo entrou na ilegalidade, pois pretendia impor a sharia, código de leis do islamismo, para o Estado egípcio.

Egito: Morsi admite erros antes de grande protesto contra governo

Morsi foi eleito depois da derrubada de Hosni Mubarak, que ficou no poder por mais de 30 anos. Ele assumiu com a promessa de ser presidente de todos os egípcios. Portanto, sem a obrigação de aplicar a ideologia de seu grupo. Mas as condições no Egito pioraram brutalmente, a ponto de faltar petróleo e gás, recursos dos quais o país é rico, e de aumentar o índice de desemprego. Grande parte da população egípcia é de muçulmanos não fanáticos. A manifestação deste domingo seria para mudar a situação. Se for pacífica, o Exército não interferirá. Mas, se for violenta, as Forças Armadas entrarão em ação.

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Manifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' durante protesto antigoverno no Cairo (28/06)

Neste mesmo contexto, o presidente turco, Recep Erdogan, deverá em breve visitar a Faixa de Gaza, o que será entendido como reconhecimento do governo do Hamas (Movimento Palestino de Resistência Islâmica),  complicando a defesa do sul israelense contra mísseis que são atirados de Gaza pela Jihad Islâmica, de muçulmanos fanáticos.

Coluna: Protestos na Turquia intensificam tensão em região tumultuada

A Turquia é parte da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), cujos países identificam o Hamas como organização terrorista. O objetivo de Erdogan parece demonstrar o seu poder de criar problemas, enquanto não for aceito como membro da União Europeia, sua maior ambição.

*Com colaboração de Nelson Burd

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