Obama descarta fazer 'foto de propaganda' com Mandela na África do Sul

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Líder diz não querer ser inconveniente no momento em que família está preocupada com saúde de ex-presidente

O presidente dos EUA, Barack Obama, diminuiu as expectativas de que se encontrará com o ex-presidente Nelson Mandela no hospital. A bordo do Air Force One em sua viagem à África do Sul, ele disse a repórteres: "Não preciso de uma 'photo op' (foto de propaganda, em tradução livre)", disse, acrescentando: "A última coisa que quero é ser de alguma forma inconveniente no momento em que a família está preocupada com sua saúde."

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AP
Menina sul-africana segura cartaz com foto de Nelson Mandela em frente de hospital onde ele está internado em Pretória

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Obama desembarcou na África do Sul após viajar ao Senegal, o primeiro país visitado em um giro de três dias pelo continente africano.

Questionada na quinta-feira se Obama faria uma visita a Mandela, a Casa Branca disse que seria uma decisão da família. "Vamos atender completamente os desejos da família Mandela e trabalhar com o governo sul-africano no que diz respeito à nossa visita", disse o vice-conselheiro de segurança nacional Ben Rhodes no Senegal. "O que a família Mandela considerar adequado é o que estamos concentrados em fazer em termos de nossa interação com eles."

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Obama considera Mandela, também conhecido pelo seu nome de clã, Madiba, como um herói. Independentemente de um encontro, autoridades disseram que a viagem serviria principalmente como uma homenagem ao líder da luta contra o apartheid (regime de segregação racial da África do Sul).

"Tive o privilégio de conhecer Madiba e falar com ele. E ele é um herói pessoal, mas acho que não sou o único que pensa assim", disse Obama na quinta, referindo-se a um encontro que os dois tiveram em 2005, quando ainda era senador. "Se e quando ele partir deste lugar, uma coisa que acho que todos vamos saber é que seu legado vai se prolongar ao longo dos tempos."

A viagem de Obama tem como objetivo melhorar as oportunidades de investimentos para negócios americanos, falar sobre questões de desenvolvimento como alimentação e saúde e promover a democracia.

Filha de Mandela: 'Estado de saúde é muito crítico'

Mas é Mandela, o ex-presidente sul-africano de 94 anos que luta pela vida em um hospital de Pretória desde 8 de junho, que deve dominar o dia do presidente.

Nesta sexta, Winnie Madikizela-Mandela, ex-mulher de Mandela, disse o ex-presidente está mostrando "grande melhora" em seu estado de saúde em comparação aos últimas dias. "Não sou médica, mas posso dizer que, em comparação a como ele estava alguns dias atrás, há uma grande melhora", disse do lado de fora da antiga casa de Mandela em Soweto, em Johanesburgo.

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Protestos contra Obama

Cerca de 200 sindicalistas, ativistas estudantis e membros do Partido Comunista da África do Sul se reuniram nesta sexta a poucos quarteirões do hospital onde Mandela está internado em Pretória para protestar contra a visita de Obama, chamando sua política externa de "arrogante, egoísta e opressiva".

"Ele veio como uma decepção, acho que Mandela também estaria decepcionado", disse Khomotso Makola, um estudante de direito de 19 anos.

O críticos sul-africanos de Obama concentram-se em particular sobre o seu apoio ao uso de drones no exterior, que, segundo eles, resultou na morte de centenas de civis inocentes, e seu fracasso em cumprir a promessa de fechar o centro de detenção militar dos EUA na Baía de Guantánamo, em Cuba, onde estão presos suspeitos de terrorismo.

Reuters
Manifestante chuta cartaz com foto de presidente dos EUA, Barack Obama, em Pretória

Combate à fome

Ao encerrar sua visita ao Senegal nesta sexta, Obama disse que seu país tem o "imperativo moral" de contribuir para o combate à fome na África.

Obama se reuniu com agricultores e empresários para discutir novas tecnologias que ajudem a melhorar a produtividade agrícola na África Ocidental, uma das regiões menos desenvolvidas e mais propensas a secas no mundo.

O presidente disse que seu governo prioriza a segurança alimentar no mundo. "Esse é um imperativo moral. Acredito que a África esteja se erguendo e deseje ser nossa parceria: não ser dependente, e sim ser autossuficiente", disse Obama. "Um número excessivo de africanos sofre a injustiça diária da pobreza e da fome crônica."

"Quando as pessoas perguntam o que está acontecendo com seus dólares do contribuinte na ajuda internacional, quero que as pessoas saibam que esse dinheiro não está sendo desperdiçado, está ajudando a alimentar famílias."

Até agora, a única passagem de Obama pela África Subsaariana havia sido um pernoite em Gana, no seu primeiro mandato, e isso causou comparações negativas em relação ao seus antecessores, George W. Bush e Bill Clinton, que promoveram vários programas de ajuda humanitária e econômica. A Casa Branca espera que a atual visita de oito dias ajude a desfazer essa má impressão.

*Com Reuters e BBC

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