Equador critica pressão dos EUA por caso Snowden e renuncia a benefícios

Por iG São Paulo |

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Correa diz ser 'ultrajante' tentativa americana de tentar deslegitimar seu país por causa de pedido de asilo

Autoridades no Equador disseram que não vão ceder à pressão dos EUA enquanto avaliam o pedido de asilo feito pelo delator da Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) Edward Snowden.

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AP
Presidente do Equador, Rafael Correa, fala com jornalistas em Quevedo (27/6)

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O presidente do Equador, Rafael Correa, e outras autoridades do alto escalão do governo afirmaram na noite de quinta-feira (27) que estão recusando os benefícios comerciais no valor de US$ 23 milhões que os EUA deram ao país como parte do Tratado de Promoção Comercial Andina e Erradicação de Drogas.

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"Em face das ameaças, da insolência e arrogância de alguns setores americanos que ameaçaram remover as tarifas preferenciais por causa do caso Snowden, o Equador diz ao mundo que renunciamos unilateral e irrevogavelmente às tarifas preferenciais", disse Correa na quinta, reiterando comentários que outras autoridades de seu governo haviam feito anteriormente.

Em um discurso inflamado durante evento em Quevedo, no Equador, o presidente prometeu não recuar de sua decisão. "É ultrajante tentar deslegitimar um Estado por causa do recebimento de um pedido de asilo", completou. Autoridades do país afirmam que ainda estão avaliando o pedido de asilo de Snowden, que colocou o país sul-americano em destaque internacional.

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Na quinta-feira, o presidente Barack Obama, que faz um giro pela África Subsaariana, reduziu a importância de Snowden, acusado de violar leis da espionagem americana. O ex-contratado da NSA ficou escondido em Hong Kong desde que revelou o amplo alcance de dois programas confidenciais de monitoramento dos EUA contra o terrorismo.

Os programas coletavam uma imensa quantidade de registros telefônicos de americanos e dados de internet em todo o mundo em nome da segurança nacional.

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No domingo, ele deixou Hong Kong em direção à Rússia. Snowden reservou assento em um voo com destino à Cuba na segunda-feira (24), mas não embarcou no avião.

O caso:
- EUA mantêm ampla base de dados de ligações telefônicas
- EUA coletam secretamente dados de nove empresas de internet

"Não vou mover jatos para pegar um hacker de 29 anos de idade", disse Obama a repórteres durante coletiva em Senegal, rejeitando sugestões de que o país poderia mandar a Força Aérea para inteceptar um avião que eventualmente estivesse levando Snowden da Rússia para outro país. Snowden, ex-funcionário terceirizado da NSA, fez 30 anos na semana passada.

Obama disse também que não ligou pessoalmente para os líderes da Rússia e da China. Ele afirmou que não deveria, pois a expulsão de um criminoso é algo que deveria ser feito através dos "canais jurídicos de rotina".

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, que adimitiu na terça-feira (25) que Snowden está em uma zona de trânsito de um aeroporto em Moscou, rejeitou o pedido de extradição feito pelos EUA.

Segundo Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que tem assessorado o delator americano, Snowden pediu asilo a diversos países, incluindo a Islândia e o Equador.

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Na quarta-feira, a Rússia reiterou que não tem nenhum interesse em prendê-lo, mas, pelo segundo dia, questionou por quanto tempo ele ficará no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou.

"Ele não violou nenhuma lei da Federação Russa. Ele não cruzou a fronteira, e continua na zona de trânsito do aeroporto e tem o direito de voar para onde quiser", disse o chanceler Serguei Lavrov. "E como o presidente pontuou, o mais breve que isso acontecer, melhor."

Pai de Snowden

O pai de Snowden disse em uma entrevista nesta sexta-feira estar razoavelmente confiante que seu filho vai voltar aos Estados Unidos, desde que sejam respeitadas determinadas condições.

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Essas condições podem incluir a não detenção de Snowden antes do julgamento, informou a NBC News nesta sexta-feira. A reportagem da NBC acrescentou que o pai de Snowden planeja expor essas condições em uma carta ao secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, a ser enviada através de seu advogado ainda nesta sexta-feira.

O pai de Snowden, a certa altura da entrevista exibida pela NBC no programa "Today Show" desta sexta-feira, também se disse preocupado que seu filho esteja sendo manipulado por outros, incluindo pessoas do WikiLeaks.

Com AP e Reuters

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