Líderes israelenses e palestinos não têm apoio popular para alcançar paz

Por Nahum Sirotsky , colunista em Israel |

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Apesar de nenhum dos lados conseguir fazer concessões mínimas, EUA acreditam que entendimento é possível

O presidente de Israel, Shimon Peres, complentou 90 anos na semana passada. Vieram do exterior variadas personalidades. Tony Blair (1997-2007), um dos mais brilhantes chefes de governo britânico, lembrou em discurso a Peres: "Nós que fomos dirigentes de países aprendemos que as guerras, sejam quais forem os resultados, são sempre um erro. Na Europa, estamos cansados e não queremos mais guerra. Inclusive a questão do Irã pode, e deve, ser resolvida por meios político-diplomáticos."

Infográfico: Saiba os principais fatos do conflito entre Israel e palestinos

AP
Presidente de Israel, Shimon Peres (C), é visto com o ex-líder dos EUA Bill Clinton (E) e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em celebração de aniversário (19/06)

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Já o ex-presidente americano Bill Clinton (1993-2001) teorizou sobre o conflito local: "Questão palestina só pode ter solução pacífica e diplomática, partindo da premissa de que devem existir dois Estados no mesmo local, um judeu, outro árabe-palestino." Ele afirmou também que o maior erro a ser cometido seria Israel ignorar esse fato e resolvê-lo com um estado binacional.

Ainda nas homenagens, Peres, prêmio Nobel da Paz de 1994 juntamente com o palestino Yasser Arafat e o ex-premiê israelense Yitzchak Rabin, lembrou que a história do povo judeu é o símbolo do enfrentamento das piores perseguições, culminando na Segunda Guerra (1939-1945), quando 6 milhões de judeus foram exterminados pelas tropas nazistas de Adolf Hitler. “Nunca esquecemos, mas vivemos em função do futuro, com otimismo, determinação e criatividade.”

Estima-se que cerca de 20% dos prêmios Nobel foram concedidos a judeus de vários países e atividades. Em 65 anos, Israel saiu da proclamação de sua independência, ou retornou à terra de origem, com um população judaica de 600 mil habitantes e acabou sobrevivendo com sucesso à primeira das sete guerras que houve até agora.

Israel não tinha nenhum recurso natural. Dois terços eram deserto. Hoje, é uma potência militar, econômica, científica e tecnológica. O número de contribuições de jovens cientistas locais são incontáveis. O Instituto Weizmann, criado por Chaim Weizmann, primeiro presidente de Israel, é um dos centros mais importantes do mundo.

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O segredo de Israel é a ênfase na educação, pois o cérebro de seus cidadãos é a única riqueza natural disponível. O deserto é  transformado em campos de plantio, cujos produtos são exportados ao mundo todo.

A chamada questão palestina passou a existir em 1947, na Assembleia Geral nas Nações Unidas, presidida pelo diplomata brasileiro Osvaldo Aranha.

Consiste de uma ideia assumida por um jovem estudante americano, de 22 anos, que veio conhecer a Terra Santa antes da Segunda Guerra. Em artigo escrito depois de observar o conflito aberto entre judeus e árabes durante o Mandato Britânico, John Kennedy escreveu que a única solução eram “Dois Estados para Dois Povos”. Atualmente há 2,5 milhões de árabes palestinos na Cisjordânia, 1,5 milhão na Faixa de Gaza e mais de 1,5 milhão de cidadãos de Israel.

Aqueles poucos nas lideranças de ambos grupos têm consciência de que a paz não foi realizada porque nem o governo de Israel, seja qual for, nem a liderança palestina tem suficiente apoio de seus povos para fazer as concessões mínimas e necessárias ao entendimento.

Os palestinos insistem que Israel deve recuar às linhas de fronteira de 1967, com Jerusalém Oriental sendo sua capital. Existem cerca de 350 mil colonos judeus nos chamados territórios ocupados. No mínimo, 25% resistirão com armas a tentativas governamentais de retirá-los de lá.

Os refugiados palestinos almejam o direito de retorno. Essa é a verdade da não realização da paz. E o novo secretário de estado americano, John Kerry, com a missão de promover o entendimento, acredita que as diferenças podem ser superadas.

*Com colaboração de Nelson Burd

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