Premiê da Austrália perde liderança do partido

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em votação interna, predecessor Kevin Rudd venceu Julia Gillard, que anunciou que vai renunciar ao cargo

A primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, perdeu a liderança do Partido Trabalhista nesta quarta-feira (26) para seu predecessor Kevin Rudd, durante votação dos parlamentares da legenda, que esperam evitar uma derrota esmagadora nas próximas eleições.

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A votação ocorreu três anos e dois dias depois que Julia derrotou Rudd em um confronto interno semelhante, tornando-se a primeira premiê mulher do país. Ela não possuía o mesmo carisma de Rudd e, embora muitos parlamentares trabalhistas preferissem seu estilo, sua perda de popularidade entre os eleitores fez com que a maioria votasse por mudança antes das eleições marcadas para setembro.

Chris Hayes, autoridade do partido, disse que Julia obteve 45 votos contra 57 de Rudd.

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O governador-geral Quentin Bryce poderia tornar Rudd primeiro-ministro na quinta-feira (27), mas antes ele terá que mostrar capacidade para comandar uma maioria de parlamentares na Câmara dos Deputados.

Os Trabalhistas depende de alguns legisladores independentes e de um partido minoritário para compor sua frágil coalizão, mas Rudd pareceu capaz de fazê-lo uma vez que dois parlamentares independentes que não apoiavam o governo de Julia decidiram apoiar o de Rudd.

A votação colocou um fim na amarga rivalidade entre Julia e Rudd que acabou criando uma atmosfera de caos e desunião. Anteriormente, Julia havia sobrevivido a duas tentativas de Rudd de assumir a liderança do partido.

Julia tinha prometido deixar o Parlamento na próxima eleição caso perdesse, e afirmou após o voto que ela iria cumprir com sua promessa. 

Ela disse que estava orgulhosa das conquistas do governo, incluindo a introdução de um impopular imposto sobre o carbono pago pelos maiores poluidores industriais. Julia se tornou manchete no mundo todo quando chamou o líder da oposição Tony Abott de misógino.

"Será mais fácil para a próxima mulher, e para a mulher que virá depois, e a mulher que virá depois. E estou orgulhosa disso", disse.  Após seu comunicado à imprensa, ela foi ao governo geral apresentar sua renúncia.

Julia convocou a votação interna em resposta a reportagens que diziam que os partidários de Rudd estavam pressionando para essa situação. Logo, Rudd anunciou que concorreria contra Julia. 

"Estamos a caminho de uma derrota catastrófica a menos que ocorra uma mudança", disse Rudd antes da votação. "Então hoje, estou dizendo a vocês, ao povo da Austrália, que estou tentando responder o chamado que eu ouvi de tantos para que eu faça o que for possível para evitar que Abbott se torne o primeiro-ministro."

O Partido Trabalhista controla 71 dos 150 assentos da Câmara dos Deputados, a coalizão de Abbott possui 72, e as restantes sete está sob comando de independentes ou do minoritário Partido Verde.

O advogado constitucional George Williams da Universidade de New South Wales disse que é provável que o governo retenha poder com o apoio de parlamentares independentes e Rudd na posição de premiê. A data 14 de setembro para as eleições foi estabelecida por Julia. Rudd pode convocar as eleições a partir de 3 de agosto.

Com AP

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