Presidente Zuma pede que cidadãos honrem legado de ex-presidente em seu aniversário de 95 anos, em 18 de julho. Obama chegará ao país nesta semana

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, conclamou seu compatriotas nesta terça-feira a mostrar seu carinho por Nelson Mandela, ex-presidente que está em condição crítica no hospital , ao marcar seu aniversário de 95 anos em 18 de julho com atos de bondade que honrem o legado do líder antiapartheid.

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Pedestre caminha perto de placa em apoio ao ex-presidente Mandela na África do Sul
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Em anos recentes, organizadores buscaram transformar a data em um evento internacional no qual os participantes façam algo para honrar os valores de Mandela por 67 minutos, notando que ele passou 67 anos como um advogado de direitos humanos, um prisioneiro, um pacifista e um presidente democraticamente eleito .

"Devemos todos planejar o que fazer no próximo mês para marcar nossos 67 minutos de boas ações pela humanidade como Madiba (nome do clã de Mandela) nos mostrou quando lançou a campanha pelo Dia Internacional de Mandela", disse Zuma. "Vamos tornar esse o maior Dia de Mandela de um 18 de julho, nos concentrando em fazer o bem em todo o país."

A chanceler sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane, disse que as pessoas deveriam honrar Mandela, mas não pensar excessivamente em sua doença. "Continuamos desejando ao pai de nossa nação o bem", disse. "Somos realistas em relação à sua idade. Também estamos cientes do fato de que os médicos dizem que ele continua em estado crítico. Mas tenho certeza de que ficaria muito decepcionado se ele ouvir que, porque está doente, a vida parou na África do Sul."

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Mandela, que passou 27 anos na prisão durante o governo de segregação racial e se tornou o primeiro presidente negro do país em eleições em 1994, foi levado a um hospital em 8 de junho - a quarta em seis meses - para tratar, segundo o governo, da reincidência de uma infecção pulmonar.

Nesta terça, Zuma afirmou que Mandela permanecia em estado crítico depois de ter anunciado no domingo que sua condição de saúde tinha passado de "grave, mas estável" para "crítico". O anúncio causou uma mudança perceptível no humor do país, onde é reverenciado entre a maioria dos 53 milhões de sul-africanos como o arquiteto da transição para a democracia multirracial, após três séculos de regime branco. Em vez de orações por sua recuperação, o país passou a preparar um adeus.

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"Seria egoísta de nossa parte esperar que ele viva para sempre", disse a chef Andisiwe Matiwane, de 29 anos, morador da Cidade do Cabo. "Precisamos ser maduros emocionalmente e deixarmos a natureza seguir seu curso. Gostaríamos muito que ele ficasse aqui para sempre, mas isso é impossível."

Neto de Mandela agradece apoio da população. Assista:

O presidente dos EUA, Barack Obama, deve visitar a África do Sul nesta semana, como parte de uma viagem por três países da África. Zuma disse nesta segunda que o agravamento do estado de saúde de Mandela não afetaria a viagem.

Mandela deixou a presidência em 1999, após cumprir um só mandato, e desde então se mantém politicamente discreto no país, o mais rico da África. Sua morte não deve causar grande impacto político. Sua última aparição pública foi acenando para torcedores em um carrinho elétrico, logo antes da final da Copa do Mundo de 2010, em Johanesburgo.

Desde sua aposentadoria, Mandela se divide entre sua casa, no refinado bairro de Houghton, em Johanesburgo, e Qunu, a aldeia na província pobre do Cabo Oriental, onde ele nasceu. A última imagem dele foi exibida em abril pela TV pública , durante visita de Zuma e de outros dirigentes do partido governista CNA à casa dele. Mandela então já apareceu frágil e magro, sentado sem expressão em uma poltrona.

*Com AP e Reuters

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