Segundo Ricardo Patiño, princípios de direitos humanos estarão acima de qualquer interesse no caso de Edward Snowden; paradeiro de delator é incerto

O ministro das Relações Exteriores do Equador afirmou nesta segunda-feira (24) que o país está analisando o pedido de asilo feito pelo ex-contratado da Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) Edward Snowden , acusado de espionagem pelos EUA.

Ricardo Patiño afirmou, em Hanói, que os princípios de direitos humanos estarão acima de qualquer outro interesse no caso do ex-funcionário da inteligência dos EUA, que pediu asilo ao país sul-americano. O chanceler disse a repórteres que o Equador considera o pedido e mantém contato "respeitoso" com a Rússia, onde se acredita que Snowden está.

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Chanceler do Equador Ricardo Patiño conversa com jornalistas durante sua visita ao Vietnã
AP
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Patiño disse que as alegações de Snowden sobre a vigilância dos EUA são um abuso de direitos contra o mundo inteiro e que só a Rússia seria capaz de dizer o paradeiro de Snowden.

Nesta manhã, um avião decolou de Moscou em direção a Cuba, mas o assento reservado por Snowden estava vazio e não havia sinal de sua presença em outro lugar a bordo. Um representante da Aeroflot que não quis se identificar disse que Snowden não estava no voo SU150 para Havana. Repórteres da agência Associated Press que estavam no voo também não o encontraram.

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Snowden chegou a Moscou no domingo vindo de Hong Kong , onde ele ficou escondido por semanas para escapar da Justiça dos EUA. Após passar uma noite no aeroporto de Moscou, era esperado que Snowden, que vazou segredos de inteligência do governo americano, voasse para Cuba e para a Venezuela para buscar possível asilo no Equador.

Snowden, que também trabalhou como técnico na CIA, deixou Hong Kong para evitar os esforços dos EUA para extraditá-lo sob acusação de espionagem. 

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Snowden forneceu aos jornais The Guardian e The Washington Post documentos revelando programas dos EUA que coletavam milhões de registros telefônicos e dados online em nome da inteligência estrangeira. Autoridades possuíam a capacidade de coletar informações telefônicas e de internet amplamente.

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Ele se escondeu por semanas em Hong Kong, uma antiga colônia britânica com autonomia do governo chinês. Os EUA pediram oficialmente a extradição de Snowden de Hong Kong para enfrentar acusações de espionagem, mas o pedido foi rejeitado. Autoridades de Hong Kong disseram que o pedido dos EUA não cumpriam suas leis integralmente.

Ônibus passa perto de cartaz em apoio a Edward Snowden, ex-técnico da CIA que vazou documentos ultrassecretos, em distrito central de Hong Kong
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Também nesta segunda, o secretário de Estado John Kerry disse que seria "decepcionante" se a Rússia e a China ajudassem Snowden a escapar das tentativas dos EUA de extraditá-lo. "Seria profundamente problemático, obviamente, se eles soubessem da notícia, e, não obstante, tomassem uma decisão deliberada de ignorá-la e de não agir de acordo com as normas da lei", disse.

Com Reuters e AP

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