Delator dos EUA reserva lugar em voo para Cuba, mas não aparece

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Após EUA entrarem com pedido formal de extradição, chanceler do Equador confirma que país recebeu pedido de asilo de Edward Snowden, que está na Rússia

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Assento 17-A, reservado por Edward Snowden em voo da Rússia para Cuba, permaneceu vazio na manhã desta segunda-feira

Um avião decolou de Moscou em direção a Havana nesta segunda-feira (24), mas o assento reservado por Edward Snowden, o ex-contratado da Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) acusado de espionagem, estava vazio e não havia sinal de sua presença em outro lugar no avião.

Um representante da Aeroflot que não quis se identificar disse que Snowden não estava no voo SU150 para Havana. Repórteres da agência Associated Press que estavam no voo também não o encontraram.

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A agência de notícias russa Interfax também citou uma fonte de segurança do país não identificada em Moscou dizendo que Snowden não estava no avião. A linha aérea disse mais cedo que Snowden se registrou para o voo usando seu passaporte americano, que segundo autoridades americanas, foi anulado.

Snowden chegou a Moscou no domingo vindo de Hong Kong, onde ele ficou escondido por semanas para escapar da Justiça dos EUA. O Equador considera fornecer asilo ao ex-contratado da NSA.

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Após passar uma noite no aeroporto de Moscou, era esperado que Snowden, que vazou segredos de inteligência do governo americano, voasse para Cuba e para a Venezuela para buscar possível asilo no Equador.

Snowden, que também trabalhou como técnico na CIA, deixou Hong Kong para evitar os esforços dos EUA para extraditá-lo sob acusação de espionagem. O chanceler equatoriano Ricardo Patiño disse que o governo recebeu um pedido de asilo, acrescentando na manhã desta segunda-feira que a decisão "tem a ver com liberdade de expressão e com a segurança dos cidadãos ao redor do mundo". O WikiLeaks também ofereceu ajuda a Snowden.

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O airbus Aeroflot A330 que levaria Edward Snowden em um voo de Moscou para Havana, Cuba

O Equador rejeitou os esforços americanos de cooperação anteriormente, e ajudou o fundador do WikiLeaks Julian Assange para evitar a Justiça, permitindo que ele permanecesse na embaixada de Londres no país.

Snowden forneceu aos jornais The Guardian e The Washington Post documentos revelando programas dos EUA que coletavam milhões de registros telefônicos e dados online em nome da inteligência estrangeira. Autoridades possuíam a capacidade de coletar informações telefônicas e de internet amplamente.

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Snowden se escondeu por semanas em Hong Kong, uma antiga colônia britânica com autonomia do governo chinês. Os EUA pediram oficialmente a extradição de Snowden de Hong Kong para enfrentar acusações de espionagem, mas o pedido foi rejeitado. Autoridades de Hong Kong disseram que o pedido dos EUA não cumpriam suas leis integralmente.

O Departamento de Justiça rejeitou a alegação, dizendo que o pedido estava de acordo com todas as exigências do tratado de extradição entre EUA e Hong Kong. Durante conversas na semana passada, incluindo uma ligação na quarta-feira entre o procurador-geral Eric Holder e o Secretário de Justiça de Hong Kong Rimsky Yuen, autoridades de Hong Kong nunca levantaram quaisquer questões sobre o pedido dos EUA.

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Os EUA estava em contato através de canais da diplomacia e da polícia com países que Snowden poderia viajar, relembrando-os que Snowden é procurado por acusações criminais e reiterando a posição de Washington de que Snowden só poderia obter a permissão de viajar de volta para os EUA. O passaporte de Snowden foi revogado.

Autoridades dos EUA que passaram essas informações falaram em condição de anonimato.

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AP
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Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, disse que: "Dada nossa intensa cooperação após o ataque à Maratona de Boston e nossa história de trabalho com a Rússia em questões policiais - incluindo a entrega de numerosos criminosos de alto nível para a Rússia sob o pedido do governo russo - esperamos que Moscou observe todas as opções disponíveis para expulsar Snowden para os EUA para que ele enfrente a Justiça pelos crimes que cometeu."

Ainda assim, é possível que os EUA tenham problemas em impedir a passagem de Snowden. Os EUA não têm um tratado de extradição com a Rússia, mas possui com Cuba, Venezuela e Equador. Mesmo com um acordo de extradição, entretanto, qualquer país poderia fornecer a Snowden isenção política.

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A possibilidade de qualquer um desses países impeça Snowden de voar para o Equador parece remota. Segundo o advogado de Assange, Michael Ratner, Snowden não tem muitas opções. "Você tem que ter um país que enfrente os EUA", disse. "Você não tem uma grande variedade de países."

Com AP

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