Hong Kong afirma que Edward Snowden deixou o país

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ex-funcionário do governo americano acusado de espionagem deixou país asiático por falta de bases legais para sua extradição para os Estados Unidos

AP
TV de Hong Kong mostra entrevista com Edward Snowden: ex-técnico acusado de espionagem deixou o país

Edward Snowden, um ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, acusado de espionagem por expor atividades secretas de vigilância no país teve permissão de sair de Hong Kong para um país ainda não divulgado porque o pedido de extradição feito pelo governo americano não estava de acordo com as leis do território asiático.

O governo de Hong Kong não identificou o destino de Snowden, mas segundo o jornal South China Morning Post, o técnico embarcou em um avião para Moscou, mas a Rússia não seria sua parada final. 

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"É um choque", disse Simon Young, um professor de direito da Universidade de Hong Kong. "Eu pensei que ele ia ficar e lutar até o fim. O governo dos EUA vai ficar irado".

Snowden estava escondido em Hong Kong há várias semanas, desde que revelou à mídia sobre como o governo dos Estados Unidos coletava registros telefônicos de americanos e monitorava atividades via internet, como emails, chats e transferências de arquivos de milhões. Ele estaria supostamento buscando asilo político na Islândia.

No entanto, a agência de notícias russa ITAR-Tass citou uma fonte não identificada da companhia aérea Aeroflot que afirma que Snowden iria de Moscou para Cuba e dali para Caracas, na Venezuela. Seu destino final também pode ser o Equador, de acordo com vários relatos.

"É um choque", disse Simon Young, um professor de direito da Universidade de Hong Kong. "Eu pensei que ele ia ficar e lutar até o fim. O governo dos EUA vai ficar irado".

Um porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, disse que não sabia do paradeiro de Snowden ou planos de viagem.

A Casa Branca não comentou a saída de Snowden, que veio no dia seguinte a um pedido formal de sua extradição, acompanhado de um aviso a Hong Kong que poderiam haver consequências se o país asiático protelasse a volta do americano a seu país natal.

O governo de Hong Kong disse, em comunicado, que Snodew "partiu por vontade própria para um terceiro país dentro dos procedimentos legais normais" e reconheceu que a documentação americana "não cumpria completamente os requerimentos legais da lei de Hong Kong". O comunicado também afirma que não haviam bases legais suficientes para prender ou extraditar o ex-técnico da NSA, então não havia como mantê-lo no país, que o governo americano foi informado da partida de Snowden e pede mais informações sobre supostos ataques de sistemas de informação de Hong Kong feitos por agências americanas, que teriam sido revelados por Snowden.

O WikiLeaks, site especializado em divulgar material confidencial de governos e organizações internacionais, reconheceu ter ajudado Snowden para deixar de Hong Kong, divulgando em seu perfil no Twitter que ele estaria em espaço aéreo russo acompanhado de advogados do site. 

O site disse que ajudou Snowden encontrar "asilo político em um país democrático".

"Ele está seguindo para uma nação democrática através de uma rota segura para efeitos de asilo, e está sendo escoltado por diplomatas e assessores jurídicos do WikiLeaks", disse o grupo em um comunicado em seu website.

Hong Kong tem tratados de extradição com os Estados Unidos, mas o documento tem algumas exceções, como no caso de crimes considerados políticos.

(Com informações da AP e Reuters)

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