FBI usa aviões não tripulados nos EUA para vigilância

Por iG São Paulo |

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Segundo diretor da agência federal, drones são utilizados muito raramente e que projeto do uso dessas aeronaves ainda está em 'estágios iniciais'

O diretor do FBI afirmou na quarta-feira (19) que a polícia federal norte-americana usa drones (aviões não tripulados) para missões de vigilância dentro do território dos EUA. Robert Mueller disse também que as implicações relacionadas à privacidade nessas operações "valem o debate". Os drones são usados pelos EUA para eliminar suspeitos de terrorismo em países como Paquistão e Iêmen.

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AP
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Segundo Mueller, os drones são raramente utilizados dentro do território norte-americano no momento, mas a agência está desenvolvendo um guia de orientações sobre como eles devem ser usados. "Nós já temos, até certo ponto, um conjunto de leis que relacionam vigilância aérea e privacidade ao se tratar de helicópteros e aviões de pequeno parte... que poderia ser muito bem adaptado para o uso dos drones", disse. "Ainda está em seus estágios iniciais, mas vale o debate e, talvez, uma legislação."

A indústria aeroespacial prevê uma implantação de cerca de 30 mil drones em todo o mundo por volta de 2018, sendo metade deles nos EUA. Os drones "nos permite saber sobre informações críticas que de outra forma seriam dificilmente obtidas sem provocar sérios riscos aos policiais e equipes de segurança", disse o FBI em comunicado após os comentários de Mueller.

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O FBI usou drones durante uma operação de resgate em um sequestro que já durava seis dias no Alabama no início do ano. O impasse chegou ao fim quando os integrantes de uma equipe de resgate do FBI invadiram um bunker subterrâneo, matando um atirador antes que ele pudesse ferir um menino de 5 anos feito refém.

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O FBI afirma que usa esse tipo de aeronave para poucas situações, de maneira "mímima" e "rara". Para usar os drones dentro do território americano, o FBI precisa primeiro obter aprovação Administração Federal de Aviação.

A revelação de Mueller ocorre em meio a um intenso debate sobre se o governo norte-americano equilibra a segurança nacional e a privacidade. Recentemente, o país foi alvo de duras críticas desde que dois programas de monitoramento secretos foram revelados por um ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês) ao jornais The Guardian e The Washignton Post.

Edward Snowden, autor da denúncia, mostrou por meio de documentos que a NSA coletava registros telefônicos de americanos e monitorava atividades via internet, como emails, chats e transferências de arquivos de milhões.

Edward Snowden:
- Ex-técnico da CIA diz que expôs vigilância secreta para 'defender liberdade'
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Snowden foi pra Hong Kong desde que vazou os documentos às publicações e pode ser alvo de um processo de extradição para os EUA. Ele também teria revelado a um jornal chinês que o governo americano espionava computadores na China, por meio de uma rede responsável pelo tráfego de internet em Hong Kong.

Snowden: Desilusão com Obama motivou vazamento de documentos

Delator ao Guardian: Reino Unido espionou autoridades do G20 em 2009

Ao Guardian, Snowden também mostrou que o governo do Reino Unido aproveitou-se de sua situação de anfitrião na reunião do G20 de 2009 para grampear telefones e monitorar emails de diplomatas e delegados presentes no país.

Com AP

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