Disputa sobre status de escritório do Taleban no Catar frustra negociações

Por iG São Paulo |

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Para Cabul, placa com inscrição com nome que milícia usava quando estava no poder e bandeira hasteada no local dariam o sinal errado de que grupo tem reconhecimento político

Uma disputa sobre o status do escritório da milícia islâmica do Taleban em Doha, Catar, continua frustrando os esforços para o início de negociações de paz no local. Depois de uma reprimenda do Catar, o Taleban retirou uma bandeira controversa para, logo depois, pendurá-la novamente em um mastro mais curto. Cabul expressou "sério descontentamento" com o manejo das negociações de paz.

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Reuters
Vista geral do escritório do Taleban em Doha, Catar

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Os EUA esperam as negociações há muito tempo, mas Cabul afirmou que há uma "quebra de confiança" na iniciativa. O Ministério de Relações Exteriores afegão acusou os americanos de agir de má-fé. "A forma como o escritório foi estabelecido foi uma clara quebra de princípios e de termos de referências acordados conosco pelo governo americano", disse a Chancelaria em uma declaração.

Na quarta, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse ao presidente Hamid Karzai que a bandeira e uma placa com a inscrição "Emirado Islâmico do Afeganistão" (nome que usava quando estava no poder há mais de uma década) seriam removidas - medidas descritas como insuficientes por autoridades afegãs, que veem a forma como o escritório foi inaugurado como indicativo de que o Taleban havia alcançado algum nível de reconhecimento político internacional.

Um comunicado publicado na noite de quarta no site da chancelaria do Catar esclareceu que o escritório será chamado de "Escritório Político do Taleban do Afeganistão em Doha", e não de "Escritório Político do Emirado Islâmico do Afeganistão".

A disputa é apenas um indicativo de quão cheio de dificuldades será o processo de negociações. Na quarta, o presidente afegão, Hamid Karzai, disse que os negociadores do país boicotariam as negociações no Catar até que os "poderes estrangeiros" permitissem que o processo fosse dirigido pelos afegãos. Ele também suspendeu as negociações de segurança com os EUA sobre a presença americana no Afeganistão até que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) saia do país em 2014.

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A Chancelaria afegã disse em um comunicado nesta quinta: "O governo afegão nunca permitirá que o processo de paz do Afeganistão seja sequestrado pelos inimigos do país para que alcancem os projetos nefastos que fracassaram em alcançar no campo de batalha da guerra no Afeganistão."

"Se o escritório do Taleban em Doha voltar a cumprir as garantias escritas dadas a nós pelo governo dos EUA, o governo afegão revisará sua decisão sobre as negociações com os EUA", acrescentou.

Em um acontecimento separado, um porta-voz do Taleban em Doha disse à Associated Press que os militantes estavam prontos para entregar um soldado americano que está preso desde 2009 em troca de cinco membros graduados do grupo que estão na prisão dos EUA na Baía de Guantánamo, Cuba.

Havia a expectativa de que o primeiro encontro formal entre os EUA e os representantes do Taleban ocorresse nos próximos dias, mas agora não está claro qual papel as autoridades afegãs desempenharão. Os EUA se encontraram secretamente com o Taleban no Catar em 2011, mas essas seriam as primeiras negociações abertas.

O escritório do grupo abriu no mesmo dia em que a Otan transferiu a total responsabilidade pela segurança do Afeganistão ao governo local pela primeira vez desde que o Taleban foi destituído, em 2001.

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As forças de combate da Otan estão previstas para deixar o país até o fim de 2014, mas os EUA planejar manter alguns milhares no país como parte de um acordo bilateral de segurança. Os detalhes ainda têm de ser definidos entre Cabul e Washington.

*Com BBC e Reuters

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