Crianças palestinas são maltratadas e usadas como escudo por Israel, diz ONU

Por Reuters | - Atualizada às

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Num período de 10 anos, cerca de 7 mil crianças entre 12 e 17 anos, algumas com apenas 9, foram presas, interrogadas e detidas, a maioria por jogar pedras, diz órgão da organização

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Um órgão de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) acusou as forças israelenses nesta quinta-feira de maltratar crianças palestinas, inclusive de usar algumas como escudos humanos.

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Crianças palestinas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, territórios capturados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967), são rotineiramente negadas de obter o registro de seus nascimentos e acesso aos serviços de saúde, escolas decentes e água potável, disse o Comitê da ONU sobre os Direitos da Criança.

"Crianças palestinas detidas por militares e policiais (israelenses) são sistematicamente sujeitas a tratamento degradante e muitas vezes a atos de tortura; são interrogadas em hebraico, uma língua que não entendem, e assinam confissões em hebraico para serem libertadas," disse em relatório.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel disse ter respondido a um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em março sobre os maus-tratos de menores palestinos e questionado se a investigação da comissão da ONU traz fatos novos.

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"Se alguém simplesmente quer ampliar seu viés político e bater na política de Israel sem se basear em um novo relatório, em trabalho de campo, mas simplesmente reciclando material antigo, não há nenhuma importância nisso", disse o porta-voz Yigal Palmor.

Kirsten Sandberg, uma especialista norueguesa que preside o Comitê da ONU sobre os Direitos da Criança, disse que o relatório tem como base fatos, e não a opinião política dos seus membros. "Olhamos para as violações dos direitos das crianças que estão em curso na jurisdição israelense", disse à Reuters.

Ela afirmou que Israel não reconheceu que tinha jurisdição nos territórios ocupados, mas o comitê acredita que sim, o que significa que tem a responsabilidade de respeitar a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança.

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O relatório feito por 18 peritos independentes reconheceu as preocupações de segurança nacional de Israel e que as crianças de ambos os lados do conflito continuam a ser mortas e feridas, mas com mais vítimas no lado palestino.

A maioria das crianças palestinas presas é acusada de atirar pedras, o que pode levar a uma pena de até 20 anos de prisão, disse o comitê.

"Centenas de crianças palestinas foram mortas e milhares feridas durante o período do relatório, como resultado de operações militares (israelenses), especialmente em Gaza", disse o relatório. Israel enfrentou um levante palestino durante parte do período de dez anos analisado pela comissão.

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Durante esse período, cerca de 7 mil crianças palestinas entre 12 e 17 anos, mas algumas com apenas 9 anos foram presas, interrogadas e detidas, segundo o relatório da ONU. Muitas foram levadas acorrentadas nos tornozelos e algemadas perante tribunais militares, enquanto os jovens eram mantidos em confinamento solitário, às vezes por meses, disse o relatório.

O documento expressou profunda preocupação com o "uso contínuo de crianças palestinas como escudos humanos e informantes", dizendo que 14 casos foram notificados somente entre janeiro de 2010 e março 2013.

Soldados israelenses usaram crianças palestinas em frente deles para entrar em edifícios potencialmente perigosos e ficar na frente de veículos militares para deter lançamento de pedras, disse. Quase todos permaneceram impunes ou receberam sentenças leves, de acordo com o relatório.

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