Obama renovará pedido por redução das armas nucleares nos EUA e na Rússia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Discurso do presidente americano será no icônico Portão de Brandenburgo, em Berlim; pronunciamento representa retorno a questões cruciais abordadas no primeiro mandato

O presidente Barack Obama vai renovar seu pedido por redução dos estoques nucleares nesta quarta-feira (19), incluindo a proposta de redução de um terço nos arsenais da Rússia e dos EUA, disse a Casa Branca.

Obama fará o pedido durante um discurso no icônico Portão de Brandenburgo, em Berlim. Seu discurso ocorre cerca de 50 anos depois do famoso pronunciamento do ex-presidente americano John F. Kennedy (1961-1963), na cidade ainda dividida por causa da Guerra Fria (1945-1990).

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AP
Presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, reúnem-se em Enniskillen, Irlanda do Norte, para discutir Síria paralelamente ao G8

O presidente já havia pedido anteriormente por reduções nos estoques e não é esperado que ele estabeleça um cronograma para que isso aconteça. Mas tocar no assunto em um importante discurso, Obama sinaliza por um desejo de reacender a questão, prioritária na agenda da segurança em seu primeiro mandato.

O presidente discutiu a não proliferação de armas químicas com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, quando eles se encontraram bilateralmente na segunda-feira durante a reunião do G8 na Irlanda do Norte. Durante o primeiro mandato de Obama, os EUA e a Rússia concordaram em limitar seus estoques para 1.550 ogivas como parte do novo tratado START.

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Não ficou claro se Obama buscará mais reduções por meio de um novo tratado ou um acordo não vinculativo que poderia requerer ratificação do Congresso. Os republicanos estão propensos a resistir quaisquer novos cortes nos estoques dos EUA.

A Associação do Controle de Armas, um grupo político com base em Washington, pediu que Obama não espera para formalizar um tratado, argumentando que os líderes russos e americanos poderiam tomar passos mais ágeis na tentativa de reduzir o número de ogivas.

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"O discurso de hoje é um bom começo, mas é apenas o início", disse Daryl Kimball, o diretor-executivo do grupo. "Nos próximos, o presidente Obama deve manter a empreitada de redução do risco nuclear."

Os pedidos de Obama por cooperação com Moscou ocorre em um momento de tensão entre os EUA e a Rússia, que apoiam lados opostos na guerra civil da Síria. A Rússia também permanece cautelosa com os planos dos EUA com sistemas de defesa antimísseis na Europa, apesar das garantias americanas de que o escudo não tem Moscou como alvo.

Também no discurso desta quarta em Berlim, Obama pressionará o Congresso para aprovar um tratado para banir os testes nuclear, informou a Casa Branca, buscando retomar um esforço que foi deixado de lado nos últimos anos.

O chanceler alemão, Guido Westerwelle, é uma voz importante pelo desarmamento nuclear e há muito tempo pede para a remoção das últimas armas nucleares dos EUA do território alemão, um resquício da Guerra Fria. A Base Aérea Buechel na Alemanha ocidental é um dos poucos locais na Europa onde existem essas armas.

Sob um acordo elaborado quando eles formaram um governo de coalizão em 2009, os conservadores, encabeçados por Angela Merkel, e o Partido Democrático Liberal, de Westerwelle concordaram em pressionar a Otan e Washington pela retirada de armas nucleares, mas não determinaram um cronograma.

Os números dos estoques nucleares são praticamente guardados em segredo nas maiores nações que as os possuem, mas especialistas em políticas nucleares dizem que nenhum país além dos EUA e da Rússia possuem mais de 300 ogivas. A Federação dos Cientistas Americanos estimam que a França tem cerca de 300, a China cerca de 240 e o Reino Unido cerca de 225.

Com AP

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