Militantes atacam complexo da ONU na Somália

Por iG São Paulo |

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Ataque contra base do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento deixou ao menos 15 mortos; grupo militante Al-Shabab reivindicou responsabilidade

Um complexo da Organização das Nações Unidas (ONU) na capital da Somália, Mogadício, foi alvo nesta quarta-feira (19) de uma explosão de carro-bomba seguida por disparos realizados por militantes do grupo islâmico Al-Shabab.

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AP
Tropas de paz da União Africana observam local do ataque em frente a complexo da ONU em Mogadíscio, Somália

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O carro-bomba explodiu no lado de fora da base do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), abrindo caminho para atiradores invadirem o local e abrir fogo contra os guardas da segurança.

Tiros ainda podiam ser ouvidas mais de 30 minutos após a explosão inicial. Segundo a Reuters, o ataque deixou ao menos 15 mortos, sendo quatro estrangeiros, quatro guardas locais e sete combatentes insurgentes. De acordo com a agência Associated Press (AP), o mortos somam 16 - três estrangeiros, seis locais e sete militantes do Al-Shabab.

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O grupo Al-Shabab, afiliado à Al-Qaeda, assumiu a autoria do atentado, em um momento em que tênues avanços da segurança haviam permitido a volta de agentes humanitários e diplomatas estrangeiros à Somália.

A força de paz da União Africana (UA), que mobilizou soldados e veículos para o local, disse que o edifício voltou ao controle de militares aliados, após um confronto que, segundo testemunhas, durou mais de uma hora e meia.

Anteriormente, militantes já haviam atirado granadas e realizado outros ataques limitados contra bases da ONU, mas não algo nessa escala. Essa foi também a primeira ação notável do Al-Shabab contra instalações da ONU desde que o grupo foi expulso de Mogadício durante combates com forças somalis e da UA, há cerca de dois anos.

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Um funcionário da ONU disse que alguns governos ocidentais, ávidos por apoiarem o novo governo eleito no ano passado, haviam minimizado os riscos representados pela Al-Shabab na capital.

"Isso é parte da consequência do excessivo otimismo em algumas nações ocidentais, o que ofuscou a necessidade de examinar os problemas mais profundamente antes de iniciar qualquer missão da ONU", disse essa fonte, que acompanha atentamente a situação da Somália.

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Segundo o funcionário, o governo somali não fez o suficiente para melhorar suas forças de segurança. A sede local do Pnud fica a poucas centenas de metros do aeroporto de Mogadício, principal base da força de paz africana que luta conta os insurgentes no sul da Somália.

Um porta-voz da ONU disse à Reuters que funcionários em um prédio vizinho foram orientados a não sair. Pelo Twitter, enquanto o confronto ainda transcorria, a Al-Shabab disse que "dentro do local há vários estrangeiros desaviados, que foram atraídos por uma falsa sensação de segurança devido a uma forte campanha de desinformação".

O premiê somali Abdi Farah Shirdon disse que estava assustado que "nossos amigos e parceiros" na ONU que estão cuidando de atividades humanitárias sejam vítimas "de uma violência tão bárbara". Mahamet Saleh Annadif, autoridade da União Africana, condenou o ataque "covarde" e enviou condolências "para aqueles que perderam seus entes queridos".

Com Reuters e AP

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