Fundador do Wikileaks teme EUA e diz que ficará em embaixada do Equador

Por Reuters |

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Em entrevista divulgada no dia em que completa um ano abrigado em missão diplomática, Assange diz que ficará no local mesmo que Suécia desista das acusações de crime sexual

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AP
Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, é visto durante entrevista na Embaixada do Equador em Londres (14/06)

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, diz que não vai deixar o refúgio na Embaixada do Equador em Londres mesmo se a Suécia desistir de levar adiante as acusações de agressão sexual contra ele, pois teme ser preso por ordem dos EUA.

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Em entrevista à Reuters e a outros meios de comunicação para marcar o primeiro aniversário de seu refúgio no apertado prédio diplomático, Assange disse também ter esperanças de que poderia sair, mas deu poucas evidências de que buscaria por um novo abrigo em breve.

"Não diria que não sairia (daqui)", disse. "(Mas) meus advogados aconselharam que eu não deixasse a embaixada por causa do risco de detenção e extradição para os EUA."

Quando perguntado se permaneceria no prédio mesmo se a Suécia abandonasse a investigação contra ele, Assange disse: "Isso está correto."

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Assange escolheu suas palavras com cuidado na entrevista, que foi realizada sob embargo na sexta-feira. Em uma discussão ampla por trás de cortinas brancas fechadas, Assange saudou como herói Edward Snowden, um ex-prestador de serviço da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) que fez revelações sobre os programas de monitoramento dos EUA.

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Ele também protestou contra os EUA, Reino Unido e sua nativa Austrália, e falou sobre seu caso com conhecimento jurídico.

Assange, de 41 anos, refugiou-se na embaixada do Equador em junho do ano passado para evitar a extradição para a Suécia, que busca interrogá-lo sob as acusações de agressão sexual e estupro, o que ele nega.

Ele diz não querer responder às acusações em pessoa porque acredita que a Suécia o entregaria às autoridades americanas, que o julgariam por facilitar um dos maiores vazamentos de informação da história dos EUA.

O WikiLeaks começou a divulgar milhares de documentos confidenciais americanos na internet em 2010, envergonhando os Estados Unidos e, de acordo com alguns críticos, colocando sua segurança nacional e vidas de pessoas em risco.

A julgamento militar de Bradley Manning, o soldado dos EUA acusado de fornecer os documentos secretos ao WikiLeaks, está em curso no Estado de Maryland. O Equador concedeu asilo político a Assange, mas o Reino Unido deixou claro que ele será preso caso tente sair do edifício, fortemente vigiado pela polícia.

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