Em Berlim, Obama renova pedido por redução de arsenal nuclear

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente pede redução de um terço dos estoques nucleares dos EUA e da Rússia, afirmando ser possível garantir a segurança e dissuasão mesmo limitando as armas atômicas

Apelando para um novo ativismo cidadão no mundo livre, o presidente dos EUA, Barack Obama, renovou nesta quarta-feira seu chamado para reduzir os arsenais nucleares russos e confrontar a mudança climática, um perigo que ele chamou "de ameaça global do nosso tempo".

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O presidente dos EUA, Barack Obama, tira o paletó por causa do calor na área do Portão de Brandenburgo, onde discursou em Berlim, Alemanha

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Em um discurso de espectro amplo que enumerou uma quantidade infindável de desafios perante o mundo, Obama disse que queria reiniciar o espírito que Berlim expôs quando lutou para se reunificar durante a Guerra Fria (1947-1991).

"As ameaças de hoje não são tão fortes quanto eram há meio século, mas a luta pela liberdade, segurança e dignidade humana continua", disse Obama no histórico Portão de Brandenburgo sob um forte sol. "E venho aqui a essa cidade de esperança porque o nosso tempo demanda o mesmo espírito combativo que definiu Berlim há meio século."

O presidente pediu a redução de um terço dos estoques nucleares dos EUA e da Rússia, dizendo ser possível garantir a segurança americana e uma forte dissuasão concomitantes à limitação de armas nucleares.

O discurso de Obama foi feito quase 50 anos depois do famoso discurso de John F. kennedy durante a Guerra Fria nessa cidade antes dividida. O presidente fez seu pronunciamento atrás de um vidro à prova de balas e leu suas declarações perante uma multidão de 6 mil pessoas.

O número de presentes contrasta drasticamente com um discurso que ele fez na cidade durante a campanha eleitoral de 2008, quando uma multidão de 200 mil se reuniu para aplaudir sua visão da liderança americana. Enquanto aquele pronunciamento expôs sua ambição, dessa vez Obama pediu à plateia cautela para não cair na autossatisfação. "A complacência não é caráter de grandes nações", insistiu Obama.

"Hoje", afirmou, "as pessoas frequentemente se reúnem em locais como este para relembrar a história, não para fazê-la. Hoje não enfrentamos muros de concreto e arame farpado."

O discurso foi feito apenas um semana antes do aniversário do pronunciamento em que Kennedy declarou "Ich bin ein Berliner" (Eu sou um berlinense). Obama, claramente consciente de que estava sob a sombra histórica de Kennedy, pediu que a audiência prestasse atenção à mensagem do ex-presidente.

"Se abrirmos nossos olhos como o presidente Kennedy pediu que fizéssemos, reconheceremos que nosso trabalho ainda não está feito", disse. "Então não somos apenas cidadãos dos EUA e da Alemanha, também somos cidadãos do mundo."

Obama falou repetidamente em buscar a "paz com justiça" em todo o mundo confrontando a intolerância, a pobreza, os conflitos no Oriente Médio e a desigualde econômica. Mas, mesmo antes de seu discurso, os assessores da Casa Branca chamavam atenção para seu pedido pelas reduções atômicas, projetando isso como a peça central do discurso.

"Paz com justiça significa buscar a segurança de um mundo sem armas nucleares, não importa quão distante esse sonho possa estar", disse Obama. "Podemos garantir a segurança dos EUA e de nossos aliados e manter uma estratégia de dissuasão forte e crível enquanto reduzimos o número de armas atômicas estratégica operacionais a até um terço", disse.

AP
Presidente Barack Obama cumprimenta a chanceler alemã Angela Merkel após coletiva na chancelaria alemã

Indicando um novo esforço para fazer andar sua atrasada agenda ambiental, Obama também fez um chamado para combater a mudança climática, um assunto que ele prometeu priorizar desde sua campanha presidencial em 2008. "Paz com justiça significar recusar condenar nossas crianças a um planeta com condições mais difíceis, menos hospitaleiro."

Obama disse ter a intenção de tentar negociar cortes de arsenais nucleares com a Rússia, mas distanciando-se de qualquer redução unilateral dos EUA. Além disso, Obama afirmou que trabalharia com os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para buscar "soluções corajosas" em relação às armas táticas dos EUA e da Rússia na Europa. Obama poderia enfrentar objeções entre os países da Otan, na qual muitos se opõem fortemente a retirar as armas nucleares dos EUA porque se preocupam que os russos têm um número bem maior de armas atômicas táticas com alcance em seu território.

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O presidente discutiu a não proliferação com o presidente russo, Vladimir Putin, quando se reuniram na segunda-feira paralelamente ao encontro do G8 na Irlanda do Norte. Durante o primeiro mandato de Obama, os EUA e a Rússia concordaram em limitar seus estoques a 1.550 como parte do novo tratado Start.

Em Moscou, o assessor de política externa russa, Yuri Ushakov, disse que planos para mais reduções teriam de envolver outros países além da Rússia e dos EUA.

*Com AP

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