Monitoramento evitou ataque à Bolsa de Valores de NY, diz inteligência dos EUA

Por iG São Paulo |

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Durante audiência no Congresso, NSA e FBI dizem que ao menos 50 planos terroristas foram frustrados por programa de interceptação de dados de internet e telefone

Os EUA frustraram um plano de ataque contra a Bolsa de Valores de Nova York por causa dos programas em massa de interceptação de dados telefônicos e da internet que estão no centro de um forte debate sobre a segurança nacional e a privacidade pessoal, disseram funcionários nesta terça-feira em uma rara audiência aberta sobre inteligência.

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A Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, liderada por legisladores simpáticos ao programa de monitoramento, ofereceu um meio para as autoridades defenderem os programas antes ultrassecretos. Houve pouca verificação de que a coleta de registros telefônicos e de uso da internet impediu dezenas de conspirações terroristas, e poucos detalhes foram entregues voluntariamente.

O general do Exército Keith Alexander, diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), disse que os dois programas - um que reúne registros telefônicos e outro projetado para rastrear o uso por estrangeiros de servidores de internet com base nos EUA com possível vínculos com o terrorismo - são cruciais.

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Segundo Alexander, a maior parte dos documentos acessados por Edward Snowden, um ex-analista de sistemas de 29 anos que trabalhava para uma prestadora de serviços da NSA, estava em um fórum online disponível para muitos dos empregados da agência. Outros estavam em um site que requeria uma credencial especial para permitir o acesso. Alexander disse que os investigadores estão estudando como Snowden os acessou.

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Ele disse aos congressistas que os vazamentos de Snowden causaram um "dano irreversível e significativo à nação" e minaram as relações dos EUA com seus aliados. Quando o vice-diretor do FBI, Sean Joyce, foi questionado sobre o que aconteceria com Snowden, ele afirmou, simplesmente, "justiça". Snowden fugiu para Hong Kong e está escondido.

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Autoridades de inteligência revelaram na semana passada alguns detalhes sobre o que disseram ser dois ataques frustrados, um tendo como alvo o sistema de metrô de Nova York e outro contra a sede de um jornal dinamarquês que publicou charges com a imagem de Maomé. Nesta terça, Alexander disse que mais de 50 atos terroristas foram impedidos por causa dos programas de monitoramento em questão.

Em um dos exemplos dados, Joyce disse que a NSA era capaz de identificar um extremista no Iêmen que estava em contato com Khalid Ouazzani em Kansas City, Missouri, possibilitando às autoridades identificar os conspiradores e evitar um plano de atacar a Bolsa de Valores de Nova York.

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Ouazzani declarou-se culpado em maio de 2010 em uma corte federal em Missouri a acusações de oferecer apoio material a uma organização terrorista, fraude bancária e lavagem de dinheiro. Ouazzani não foi acusado pela suposta conspiração à bolsa. Joyce afirmou que a prisão foi possível por causa do programa de monitoramento de internet revelado por Snowden.

Alexander disse que o programa de internet ajudou a parar 90% das 50 conspirações que citou. Segundo ele, só dez dos planos frustrados tinham alguma conexão dentro dos EUA, sendo possível coibi-los com a revisão dos registros telefônicos. Apesar disso, pouco foi oferecido para amparar as alegações de que os programas tiveram êxito em interromper atos de terrorismo que poderiam ser capturados por uma vigilância mais restrita. 

*Com AP

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