Forças do Afeganistão assumem liderança da segurança em todo país

Por iG São Paulo |

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Hamid Karzai, presidente do país, também anunciou que, em breve, enviaria representantes ao Catar para discutir processo de paz com Taleban

As forças afegãs assumiram a liderança da segurança nacional em todo país, anunciou nesta terça-feira (18) o presidente Hamid Karzai em um significativo marco na guerra de 12 anos.

O anúncio ocorre em meio a episódios de violência diária no Afeganistão. A poucos quilômetros de onde Karzai fez o pronunciamento, uma ataque à bomba que tinha como alvo um parlamentar de destaque matou três civis.

Em outro anúncio importante, Karzai disse que, em breve, enviaria representantes a Catar para discutir o processo de paz com o Taleban. Os diálogos em Doha seguiriam um plano de abertura de um escritório político do grupo militante no país árabe.

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AP
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A entrega pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico do Norte) da responsabilidade pela segurança ao Afeganistão marca um importante momento, no qual as forças americanas e da coalizão terão um papel inteiramente de apoio. Também abre o caminho para a retirada total das tropas estrangeiras, prevista para ocorrer dentro de 18 meses.

"Esse é um momento histórico para o nosso país e a partir de amanhã todas as operações de segurança estarão nas mãos das forças de segurança afegãs", disse Karzai na cerimônia, que ocorreu na Universidade de Defesa Nacional construída para treinar futuros oficiais militares do país.

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A transição também ocorre em um momento que a violência atingiu um dos piores níveis em 12 anos de conflito, provocando preocupações entre os afegãos se as suas tropas estão realmente preparadas. Karzai afirmou que nos próximos meses, as forças da coalizão estrangeira vão, gradualmente, se retirar das províncias do Afeganistão enquanto as forças de segurança do país as substituirão.

Ao anunciar a quinta e última fase do processo que começou na reunião da Otan em 2010, em Lisboa, Karzai disse que "a transição será completada e as forças de segurança do Afeganistão liderarão e conduzirão todas as operações".

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Ele também afirmou que enviaria representantes do Alto Conselho de Paz a Doha para encontros com autoridades do Taleban assim que o seu escritório estiver aberto. "Estamos esperançosos que se a abertura do escritório for hoje ou for amanhã, a negociação pela paz começa o mais breve possível entre o Alto Conselho de Paz e o Taleban", disse Karzai a repórteres depois da cerimônia.

Karzai visitou Catar na semana passada e discutiu o processo de paz e a possível abertura do escritório do Taleban. O Afeganistão e os EUA apoiam a abertura como parte do esforço de restabelecer o diálogo com o grupo insurgente. Mas primeiro, Cabul e Washington dizem, o Taleban deve desfazer todas as suas conexões com a Al-Qaeda e outros grupos terroristas além de aceitar a constituição do Afeganistão.

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Por anos, o Taleban se recusou a estabelecer diálogos com o governo ou com o Alto Conselho de Paz, criado por Karzai há três anos, porque consideravam que a instituição trabalha como "marionetes" dos EUA. Os representantes do Taleban, em vez disso, conversaram com autoridades americanas e do Ocidente em Doha e em outros países, a maior parte deles na Europa.

O secretário-geral da Otan Anders Fogh Rasmussen disse que a coalizão fornecerá ajuda militar quando e se for necessária, mas não mais planejará, executará ou liderará operações. "Há dez anos, não havia forças de segurança nacional no Afeganistão. Cinco anos atrás, as forças afegãs eram uma fração do que são hoje. Agora, você tem 350 mil tropas afegãs e policiais. Uma força formidável", disse.

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Afegãos terão agora que liderar os esforços de segurança em todos os 403 distritos das 34 províncias do Afeganistão. Até agora, eles eram responsáveis por 312 distritos em todo país, onde 80% da população do país vive.

A transferência abre caminho para as forças da coalizão - atualmente 100 mil soldados de 48 países, incluindo 66 mil americanos - a deixar o país. Ao final do ano, a força da Otan será reduzida pela metade. No fim de 2014, todas as tropas de combate deixarão o país e serão substituídos, se isso for aprovado pelo governo afegão, por uma pequena força que dará treinamento e assessoria.

Com AP

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