Diálogo para encontrar solução política para o conflito de quase 12 anos começará dentro de poucos dias após abertura de escritório da milícia islâmica no Catar

Em um grande avanço, o Taleban e os EUA anunciaram nesta terça-feira que manterão negociações para encontrar uma solução política para pôr fim aos quase 12 anos da guerra no Afeganistão após a milícia islâmica abrir um escritório no Catar .

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Muhammad Naeem, representante do Taleban, fala durante coletiva na abertura de escritório em Doha, Catar
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Muhammad Naeem, representante do Taleban, fala durante coletiva na abertura de escritório em Doha, Catar

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Autoridades americanas no governo Obama disseram que o escritório em Doha, capital do Catar, era o primeiro passo em direção ao objetivo final dos EUA de uma total renúncia por parte do Taleban de vínculos com a rede terrorista Al-Qaeda. As autoridades, que falaram sob condição de anonimato, disseram que representantes americanos começarão encontros formais com o Taleban no escritório em poucos dias.

A decisão foi uma reversão de meses de esforços fracassado de iniciar negociações de paz enquanto militantes do Taleban intensificam uma campanha tendo como alvo centros urbanos e instalações do governo.

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Em Doha, o porta-voz do Taleban, Mohammad Naim, disse que o grupo se opõe ao uso do solo afegão para ameaçar outros países e apoia o processo de negociação, duas demandas-chave de ambos os governos americano e afegão antes de o diálogo começar. Ele fez o anúncio pouco depois de o vice-ministro de Relações Exteriores do Catar dizer que o Estado do Golfo havia aprovado a abertura do escritório.

Naim afirmou que o Taleban deseja usar todos os meios legais para acabar com o que chama de ocupação do Afeganistão. Ele agradeceu ao líder do Catar, o xeque Hamad bin Khalifa Al-Thani, por permitir ao grupo abrir o escritório.

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As autoridades do governo Obama afirmaram que os EUA e os representantes do Taleban manterão encontros bilaterais, e que o Alto Conselho de Paz do presidente afegão, Hamid Karzai, deve dar seguimento com suas próprias negociações alguns dias depois .

Autoridades do governo reconheceram que o processo será "complexo, longo e tumultuado" por causa do atual nível de desconfiança entre as partes.

Os funcionários prometeram continuar pressionando o Taleban ainda mais e afirmaram que o Taleban deve no fim das contas romper seus laços com a Al-Qaeda, pôr fim à violência e aceitar a Constituição afegã - incluindo proteções para as mulheres e as minorias.

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Os EUA manterão suas primeiras negociações formais com o Taleban em Doha daqui a poucos dias, disseram funcionários graduados, com a expectativa de que sejam acompanhadas posteriormente por um encontro entre o Taleban e o Alto Conselho da Paz. O primeiro encontro dará ênfase a um troca de agendas e consultas sobre os próximos passos.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, participa de coletiva de imprensa nos arredores de Cabul
AP
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, participa de coletiva de imprensa nos arredores de Cabul

Apesar da declaração de Karzai de que espera que o processo seja transferido imediatamente para o Afeganistão, funcionários americanos, entretanto, disseram não ter a expectativa de que isso seja possível no futuro próximo.

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Autoridades disseram que Obama estava pessoalmente envolvido em trabalhar com Karzai para possibilitar a abertura do escritório, e que o secretário de Estado John Kerry também tinha desempenhado um grande papel. Obama, que estava na Irlanda do Norte para um encontro do G8 , informou os líderes presentes sobre a abertura do escritório.

Durante anos o Taleban se recusou a conversar com o governo ou o Conselho de Paz, estabelecido por Karzai há três anos, porque os considera "marionetes" americanas. Representantes do Taleban em vez disso conversaram com autoridades americanas e ocidentais em Doha e outros lugares, em sua maioria Europa.

Os anúncios aconteceram no dia em que as forças afegãs assumiram a liderança da coalizão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para a segurança do país, marcando um ponto de mudança para as forças militares americanas e da Otan, que agora assumirão um papel de apoio. Isso também abre o caminho para a total retirada da maioria das forças estrangeiras em 18 meses.

*Com AP

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