Erdogan defendeu ação da tropa de choque contra manifestantes, que recebeu críticas de órgãos internacionais: 'Uso de gás lacrimogêneo é direito natural dos policiais'

Desprezando as críticas internacionais sobre o excesso de força usado para reprimir uma onda de protestos contra o governo , o premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, defendeu a polícia do país nesta terça-feira (18) e prometeu ampliar seus poderes para lidar com a revolta no país.

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Manifestantes fazem protesto silencioso na Praça Taksim em Istambul, Turquia
AP
Manifestantes fazem protesto silencioso na Praça Taksim em Istambul, Turquia

Erdogan: Premiê diz que cumpriu dever ao retirar manifestantes da Praça Taksim

O governo foi duramente criticado pelo uso de força desproporcional da polícia contra manifestações que varreram a Turquia por mais de duas semanas. Foi uma operação brutal da polícia contra ativistas pacíficos em um parque adjacente à principal praça de Istambul, Taksim, em 31 de maio, que provocou protestos em todo país e prejudicou a imagem de Erdogan no exterior.

Quatro manifestantes e um policial foram mortos durante os protestos e uma associação médica da Turquia disse que havia uma investigação em curso sobre a morte de um quinto manifestante, exposto ao gás lacrimogêneo. Mais de 7,8 mil ficaram feridos, seis deles em estado grave. Outros onze perderam a visão após serem atingidos por objetos.

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A legisladores de seu partido, Erdogan disse que a tropa de choque posicionada para dispersar os manifestantes havia agido com moderação e que seus poderes seriam ampliados, permitindo-lhes maior margem de manobra para lidar com futuros protestos. "Nossas forças de segurança realizaram uma bem sucedida e extremamente paciente luta contra atos de violência, permanecendo dentro dos limites estabelecidos pela democracia e pela lei", disse Erdogan.

Na terça-feira, a polícia invadiu residências e escritórios e prendeu ao menos 87 suspeitos de envolvimento em episódios de violência. A mídia estatal disse que 25 foram detidos na capital Ancara, 13 em Eskisehir, a oeste, e "muitos" em Istambul, maior cidade da Turquia. Uma fonte da polícia confirmou as detenções e disse: "Por enquanto, provocadores serão apenas levados para interrogatório."

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Durante a noite, a polícia dispersou um protesto silencioso na Praça Taksim no qual centenas imitaram um homem solitário que ficou em silêncio por horas em um protesto passivo contra o governo.

O escritório de direitos humanos das Nações Unidas na terça-feira pediram que as autoridades turcas investigassem registros de que gás lacrimogêneo e spray de pimenta teriam sido diretamente atirados contra manifestantes em espaços fechados.

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Erdogan não fez menção a esses registros, mas afirmou aos legisladores que era um "direito natural" dos policiais atirar bombas de gás lacrimogêneo.

Na terça-feira, a tropa de choque foi novamente posicionada nas duas principais cidades da Turquia, Ancara e Istambul, mantendo uma dura postura contra os manifestantes nas ruas. Milhares foram às ruas durante a noite, muitos buzinando e agitando bandeiras da Turquia.

Com AP e Reuters

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