Reino Unido espionou autoridades do G20 em 2009, diz jornal

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Nova revelação feita pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden trata sobre suposto grampo de telefones de diplomatas estrangeiros em Londres; país se recusa a comentar

O jornal britânico The Guardian informou nesta segunda-feira (17) que a agência britânica de escutas GCHQ grampeou telefones e interceptou emails de diplomatas estrangeiros quando o Reino Unido abrigou conferências internacionais, criando até mesmo um cibercafé para realizar escutas em um esforço para conseguir vantagens em negociações de alto nível.

As notícias provocaram uma resposta irritada das autoridades russas, que estão preocupadas com a possibilidade de suas comunicações terem sido interceptadas.

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A reportagem - a mais recente de uma série de revelações que provocou um debate sobre os limites da inteligência ocidental - foi publicada horas antes de o Reino Unido abrir a reunião do G8 na Irlanda do Norte nesta segunda, um encontro das maiores economias do mundo, incluindo a Rússia. A alegação de que o Reino Unido usou sua posição como país sede para espionar seus aliados e outros participantes deixa um clima estranho durante a chegada dos delegados ao G8.

O premiê David Cameron se recusou a comentar o assunto durante a reunião. "Nunca comentamos sobre assuntos de inteligência e não sou eu que vou começar a fazer isso agora", disse. "Não faço comentários sobre questões de segurança. Isso seria quebrar algo que nenhum governo fez antes."

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A GCHQ também se recusou a comentar a reportagem.

Autoridades russas reclamaram nesta segunda-feira sobre a possibilidade de sua delegação ter sido alvo de espionagem em outras reuniões. "Isso é um escândalo. Os serviços especiais dos EUA e do Reino Unido invadiram o telefone do (ex-presidente Dimitri) Medvedev em 2009 durante a reunião do G20. Os EUA negam isso, mas não podemos confiar neles", disse Alexei Pushkov, o chefe do comitê de assuntos internacionais da Rússia na Câmara Baixa do Parlamento, em seu Twitter.

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Sergei Devyatov, porta-voz do Serviço de Proteção Federal, que fornece segurança para as principais autoridades russas, disse em comunicado publicado pela agência Interfax: "O Serviço de Proteção Federal está tomando as medidas necessárias para fornecer o nível necessário de confidencialidade de informação para as autoridades do país."

O Guardian cita mais de meia dúzia de documentos internos do governo fornecidos pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden como a base para a reportagem sobre as operações de inteligência da GCHQ, que, segundo o jornal, envolve, entre outras coisas, hackear a rede de computadores do Ministério das Relações Exteriores da África do Sul e a delegação da Turquia durante a reunião do G20 de 2009 em Londres.

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Clayson Monyela, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da África do Sul, se recusou a fazer comentários sobre a reportagem na segunda-feira. Monyela disse em seu Twitter que "a questão está recebendo atenção".

O material da fonte - cuja autenticidade não poderia imediatamente ser determinada - parece ser composto por vários tipos de documentos. O Guardian descreve um deles como um "slide de PowerPoint", outro como um "documento de informação" e outros simplesmente como "documentos". Alguns materiais vazados foram publicados pelo site do The Guardian.

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Não ficou completamente esclarecido como Snowden teve acesso aos documentos da inteligência britânica, embora em um artigo, o Guardian mencione que o material foi retirado de uma rede confidencial interna compartilhada pela GCHQ e a Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês), dos EUA.

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Um documento citado pelo Guardian - mas que não foi publicado em seu site - parece vangloriar o grampo feito pela GCHQ em smartphones. O Guardian citou o documento dizendo que "os recursos contra o BlackBerry forneceram cópias antecipadas de reuniões do G20 aos ministros". O documento continua afirmando que "alvos diplomáticos de todos os países têm um MO (modus operandi, hábito) de usar smartphones", acrescentando que os espiões "exploraram esse uso nas reuniões do G20".

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Outro documento citado - mas também não publicado - estava relacionado ao uso do GCHQ de um cibercafé que "era capaz de extrair informações sobre senhas, credenciais para os delegados, o que significa que temos opções de inteligência contra eles antes que a conferência chegue ao fim". Nenhum outro detalhe foi dado, mas a referência às senhas sugerem que os computadores do cibercafé possuíam algum software feito para espionar emails e roubar senhas.

Com AP

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