Presidente recém-eleito do Irã promete 'caminho de moderação'

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Hassan Rohani afirmou também que dará maior transparência ao programa nuclear iraniano, mas não suspenderá enriquecimento de urânio no país

O recém-eleito presidente do Irã prometeu nesta segunda-feira (17) seguir um "caminho de moderação" e realizar uma maior abertura do país em relação ao seu programa nuclear. Apesar disso, Hassan Rohani seguiu a linha do status quo islâmico e se recusou a considerar a suspensão do enriquecimento de urânio.

Entretanto, o tom geral da primeira coletiva de Rohani desde as eleições, provavelmente será vista pelo Ocidente como uma evidência de que sua vitória na semana passada possa abrir novas possibilidades por diálogo para aliviar as tensões sobre o disputado programa nuclear iraniano.

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A Washington, Rohani enviou uma mensagem dúbia. Ele afirmou que os dois países deveriam "olhar para o futuro", mas repetiu afirmações do ex-presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, que um diálogo bilateral apenas será possível se os EUA prometer "nunca interferir nos negócios iranianos".

Outras questões foram deixadas em aberto. Rohani evitou a questão da estreita aliança do Irã com o presidente da Síria, Bashar al-Assad, dizendo apenas que os esforços para por fim à guerra civil e restaurar a estabilidade permanece com "o povo sírio".

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Ele também deve equilibrar as esperanças de muitos partidários que querem que ele se coloquie contra ao sistema governante. No fim da coletiva, um espectador gritou um pedido pela libertação do líder da oposição Mir Hossein Mousavi, que está em prisão domiciliar há mais de dois anos. Rohani não fez nenhum comentário.

Rohani não possui autoridade para estabelecer políticas de grande porte, como a direção do programa nuclear ou relações com o Ocidente. Todas essas decisões são tomadas pelos clérigos que governam o país e a poderosa Guarda Revolucionária, que até agora aparentemente apoia Rohani, mas poderia facilmente virar-se contra se ele se tornar uma ameaça ao seu poder.

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Rohani, entretanto, pode usar sua força com a vitória esmagadora e suas influentes conexões no país, incluindo o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, para tentar agitar as políticas. Ele também servirá como o principal enviado iraniano internacional e é quase certo que ele terá um tom muito mais ameno que seu predecessor, que deixa o poder formalmente em agosto.

Isso poderia ajudar a baixar o nível de tensão entre o Irã e o Ocidente e também frear os pedidos de algumas facções no Israel e nos EUA para estudar opções militares contra os complexos nucleares iranianos.

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Rohani, 64 anos, o único clérigo na corrida presidencial, descreveu sua eleição como a abertura de "uma nova era" e disse que "seguiria o caminho da moderação e da justiça, não do extremismo". "Temos que aumentar a mútua confiança entre o Irã e outros países", disse. "Temos que construir essa confiança."

Ele também afirmou que lidar com a economia estava entre suas prioridades, em uma clara referência às sanções internacionais contra o Irã que contribuíram para o aumento da inflação e reduziu as receitas. Previamente, Rohani, um ex-negociador do programa nuclear, criticou as posições do Irã que levaram a um aumento das sanções, mas também descreveu as pressões econômicas feitas pelos EUA e pelos outros países como "opressivas".

"A nação iraniana não fez nada para merecer sanções. O trabalho que o país fez está dentro dos parâmetros internacionais. Se as sanções tiver quaisquer benefícios, elas somente beneficiam Israel. Não têm nenhum benefício para outros", disse.

Ele prometeu incentivar medidas realizadas "passo a passo" para tranquilizar o Ocidente sobre as ambições nucleares iranianas. O ocidente afirma que o Irã busca desenvolver armas nucleares. Líderes do país, incluindo Rohani, insistem que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos.

"O primeiro passo será uma maior transparência. Estamos prontos para mostrar mais transparência e esclarecer que as ações da República Islâmica do Irã são totalmente dentro dos parâmetros internacionais", disse. "O segundo passo é promover confiança mútua. Tomaramos medidas em ambos os campos. O primeiro objetivo é que nenhuma nova sanção seja imposta. Depois, reduzir as sanções (existentes."

Com AP

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