Manifestantes turcos se recusam a deixar parque de Istambul

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Grupo afirma que manterá os protestos uma vez que o governo não cumpriu a exigência de soltar os ativistas detidos; Turquia suspendeu projeto de parque que desencadeou revolta

Reuters

Manifestantes turcos disseram neste sábado que não deixarão o parque de Istambul, apesar do pedido do presidente para que eles se retirem de local e a promessa do primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, de realizar uma votação sobre os planos de revitalização da região.

Centenas de manifestantes, acampados por mais de duas semanas em barracas no Parque Gezi, localizado ao lado da Praça Taksim, afirmaram que manterão suas campanhas depois de o governo não ter cumprido a exigência de soltar os manifestantes detidos.

Leia mais: Turquia congela projeto de parque em Istambul que desatou protestos no país

NYT: Defensores de parque turco, primeiros manifestantes abraçam novas causas

AP
Manifestantes na escadaria do Parque Gezi, na Praça Taksim, em Istambul

A resposta violenta da polícia a manifestantes pacíficos no parque, há duas semanas, provocou uma onda de protestos sem precedentes contra Erdogan e o Partido AK, legenda de centristas e religiosos conservadores. As manifestações reuniram nacionalistas, profissionais, sindicalistas e estudantes.

Os conflitos, que tiveram ações da polícia com gás lacrimogêneo e canhões de água contra os manifestantes, que atiravam pedras, ocorreram durante várias noites em Istambul e Ancara, deixando um saldo de quatro mortos e 5 mil feridos, de acordo com a Associação Médica Turca.

"O governo ignorou as claras e legítimas exigências desde o começo da resistência. Eles tentaram dividir, provocar e danificar nossa legitimidade", informou em comunicado a Solidariedade Taksim, um grupo que representa os manifestantes.

Saiba mais: Leia todas as notícias sobre os protestos na Turquia

Análise: Protestos na Turquia revelam luta mais ampla pela identidade do país

Cenário: Premiê da Turquia tenta ampliar poderes enquanto manifestantes pedem sua saída

O grupo, cujos representantes se encontraram com Erdogan em sua residência oficial em Ancara na noite de quinta-feira, informou que não teve sinais sérios de progresso nas punições aos responsáveis pela repressão policial, nem na investigação das quatro mortes, uma delas de um próprio policial, durante os conflitos.

"Continuamos guardando o parque", afirmou Mucella Yapici, uma porta-voz do grupo, quando perguntada se os manifestantes consideravam se retirar do local.

Erdogan disse aos manifestantes na reunião de quinta-feira que iria adiar os planos de construir uma réplica de quartéis otomanos no parque até que um tribunal julgue o processo, numa postura mais moderada do que a de duas semanas atrás, quando criticou os manifestantes e afirmou que o projeto seguiria adiante de qualquer forma.

Leia tudo sobre: turquiaistambulerdoganpraça taksimprotestos na turquiaparque gezi

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas