Irã vai às urnas em eleição presidencial; líder supremo pede alto comparecimento

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Votação destaca profunda divisão política entre conservadores linha dura, que procuram consolidar seu controle, e reformistas que apoiam solitário candidato moderado da disputa

Os eleitores iranianos aparentemente atenderam os pedidos dos líderes do país para comparecer às urnas durante uma eleição presidencial que destaca uma profunda divisão política no país: os conservadores linha dura, que procuram consolidar seu controle, e os reformistas que apoiam o solitário candidato moderado que permaneceu na disputa.

Rohani: Reformistas apoiam único moderado em eleição no Irã

AP
Iranianas esperam em fila para votar durante eleições presidenciais em Qom, ao sul de Teerã

Adel: Candidato desiste de concorrer à eleição presidencial do Irã

A abertura das urnas foi marcada por um pronunciamento do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, criticando os EUA e dizendo que não "dá a mínima" para as acusações de que o sistema de votação do país é injusto.

"O que é importante é que todos participem", disse Khamenei, falando ao vivo na televisão estatal, após depositar seu voto na capital Teerã. "Nossa querida nação deve vir (votar) com entusiasmo e vivacidade, e saber que o destino do país está nas mãos deles e a felicidade do país depende deles."

Khamenei ridicularizou as preocupações ocidentais sobre a credibilidade da votação. "Recentemente, ouvi que alguém no Conselho de Segurança Nacional dos EUA disse que 'nós não aceitamos esta eleição no Irã'. Nós não damos a mínima", disse. Em 24 de maio, o secretário de Estado americano, John Kerry, colocou em dúvida a credibilidade da eleição, criticando a desqualificação de candidatos e acusando Teerã de interromper o acesso à internet.

O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão estatal que avalia todos os candidatos, barrou vários concorrentes, incluindo o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, que é visto como simpático a reformas.

Barrado de eleição: Rafsanjani chama líderes iranianos de ignorantes

Posteriormente às declarações de Khamenei, longas filas foram formadas do lado de fora de alguns colégios eleitorais em Teerã e em outras partes do país. O entusiasmo sugere que uma eleição vista como uma vitória previamente esquematizada pelo atual comando do Irã se tornou uma chance para os eleitores alinhados aos reformistas de externalizar suas vozes após anos de repressão.

Estratégia: Presidente do Irã muda de tática para garantir sobrevivência após eleições

Não há um favorito claro entre os seis candidatos que tentam suceder ao combativo presidente Mahmud Ahmadinejad, cujos oito anos no poder chega ao fim, uma vez que é proibido concorrer a um terceiro mandato consecutivo no país. Mas figuras influentes de todos os lados pediram por um alto comparecimento às urnas, indicando preocupações e esperanças sobre uma eleição que mudou nos últimos dias.

Clérigos: Ex-presidente e aliado de Ahmadinejad são impedidos de disputar eleição no Irã

A coalizão de liberais, reformistas e ativistas da oposição do Irã - fragmentada pelas pressões dos líderes - encontrou em Hasan Rowhani, um ex-negociador sobre o programa nuclear do país, uma inspiração de última hora, por ele representar o único moderado na disputa.

A vitória de Rowhani seria um pequeno revés para o status quo islâmico do Irã, mas não se compara ao tipo de desafio colocado há quatro anos pelo reformista Movimento Verde, que foi brutalmente reprimido após protestos em massa que alegavam que a reeleição de Ahmadinejad em 2009 havia sido resultado de fraudes sistemáticas na contagem das votações.

O presidente do Irã não possui poder de decisão final em importantes questões, como o programa nuclear, a defesa e as relações exteriores - mas define um tom importante no cenário mundial, uma vez que ele é o principal embaixador do país.

Se nenhum candidato vencer com uma maioria absoluta, ocorre um segundo turno com os dois mais votados em 21 de junho. Portanto, uma forte presença de partidários de Rowhani nas eleições desta sexta pode significar um novo teste. É esperado que os resultados sejam divulgados na manhã de sábado.

Os principais partidários de Rowhani, como o ex-presidente Rafsanjani - que foi impedido de concorrer pelo Conselho de Guardiões do Irã - pediram que os reformistas comparecessem às urnas e abandonassem os planos de boicotar a eleição em protesto por anos de prisões e intimidação. "Eu e minha mãe votamos em Rowhani", disse Saeed Joorabchi, um estudante universitário de Geografia, depois de depositar seu voto em uma mesquita em Teerã.

Na cidade de Bandar Abbas, o jornalista Ali Reza khorshidzadeh disse que muitos locais de votação tinham filas significativas e a maioria dos eleitores aparentemente apoiava Rowhani.

Mas havia forte apoio a um outro possível favorito entre os candidatos: Saeed Jalili, um negociador linha dura, e o prefeito de Teerã, Mohammad Bagher Qalibaf, que é favorecido por sua reputação como um mão estável para a economia prejudicada por sanções do país.

*Com AP e Reuters

Leia tudo sobre: irãeleição no irãkhamenei

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas