Premiê turco enfrenta clima de ceticismo em reunião com manifestantes

Por iG São Paulo |

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Após confrontos na Praça Taksim, Erdogan vai receber manifestantes do Parque Gezi em Ancara, mas líderes de movimentos sociais estão descrentes sobre efetividade do encontro

Policiais e manifestantes recuaram nesta quarta-feira (12) após os confrontos que duraram toda a noite na Praça Taksim em Istambul - um hiato incerto antes que as autoridades se encontrem com os manifestantes da praça Taksim a fim de acabar com os maiores protestos contra o governo da Turquia em décadas.

As cerca de duas semanas de protestos que tomaram conta de várias cidades do país se tornaram o maior teste para o premiê Recep Tayyip Erdogan em seus dez anos de governo. Segundo os manifestantes, Erdogan vem se tornando cada vez mais autoritário, uma acusação que ele e seus aliados negam veementemente.

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AP
Manifestante observa o movimento do lado de fora de sua barraca no Parque Gezi em Istambul, Turquia

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O presidente Abdullah Gul, visto por muitos como uma voz moderada, disse que o governo não poderia mais tolerar a instabilidade que tem atrapalhado a vida diária no país, mas que as autoridades ouviriam as queixas dos manifestantes. "Estou esperançoso de que vamos superar isso por meio de maturidade democrática", disse Gul. "Se eles tiverem objeções, precisamos ouví-los, entrar em um diálogo. É nosso dever emprestar a eles um ouvido."

Não estava claro exatamente quem participaria dessa reunião, marcada para as 16h (10h em Brasília) no gabinete de Erdogan em Ancara, e se a reunião terá impacto em colocar fim aos protestos.

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Ativistas tinham dúvidas sobre a legitimidade do diálogo: Apenas um ator e um cantor - com conexões não muito definidas com os manifestantes - concordaram em participar, e alguns líderes de grupos da sociedade civil, incluindo o Greenpeace, já haviam dito que não participariam por causa do "ambiente de violência".

Gul criticou a mídia estrangeira, enquanto investidores internacionais têm demonstrado preocupação sobre como os distúrbios afetariam a economia turca. Houve uma queda de dois dígitos percentuais no índex da principal bolsa desde o início dos protestos.

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Após uma noite de violência, o tráfego voltou a circular na Praça Taksim em Istambul na manhã desta quarta-feira, com táxis, caminhões e pedestres retornando às ruas. Havia uma forte presença da polícia perto de uma nova barricada erguida antes de amanhecer para evitar que a tropa de choque disparasse gás lacrimogêneo contra o Parque Gezi, ainda ocupado.

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Centenas de manifestantes permaneceram no parque, limpando o local após uma noite em que tentaram fugir do gás lacrimogêneo, seguido por uma tempestade pela manhã que derrubou barracas e roupas de cama e encharcou cobertores. Na entrada do parque na Praça Taksim, uma grande barricada de carros destruídos e materiais de construção continuava de pé.

Veja fotos dos protestos na Turquia

Tropa de choque da polícia fica coberta pela fumaça do gás lacrimogêneo durante confrontos na praça Taksim, Istambul (11/06). Foto: APManifestante joga uma lata de gás lacrimogêneo durante confrontos com a polícia na praça Taksim, Istambul (11/06). Foto: APManifestante tenta ficar de pé enquanto polícia joga jatos de água durante confrontos na praça Taksim, Istambul (11/06). Foto: APManifestantes turcos conversam no Parque Kugulu, ca capital da Turquia, Ancara (10/06). Foto: APTurco gesticula em frente de muro com grafite antigoverno perto da Praça Taksim, Istambul (08/06). Foto: ReutersFoto do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, é alterada para que ele se parecesse com Adolph Hitler é colocada na praça Taksim, Istambul (06/06). Foto: APManifestante turco grita palavras de ordem com o governo durante marcha sindicalista na Praça Kizilay, Ancara (05/06). Foto: APMulher sentada entre estudantes de ensino médio ergue suas mãos e grita palavras de ordem no Parque Gezi em Istambul (04/06). Foto: APManifestante segura bandeira da Turquia decorada com a imagem do fundador da Turquia Mustafa Kemal Ataturk, durante protesto na praça Taksim em Istambul (03/06). Foto: APPela manhã, manifestações são pacíficas no terceiro dia de protestos na Turquia (02/06). Foto: APPrédios foram pichados por manifestantes em Istambul (02/06). Foto: APMuitas vidraças acordaram quebradas após dois dias de protestos em Istambul (02/06). Foto: APNo domingo, um grupo menor de manifestantes se reúne na Praça Taksim (02/06). Foto: APônibus foram queimados durante confrontos da polícia com manifestantes (02/06). Foto: APÀ noite, polícia deixou a praça Taksim e manifestantes comemoraram (01/06). Foto: APÀ noite, manifestantes tentaram se aproximar do antigo Palácio Otomano, onde trabalha o primeiro-ministro em Istambul (01/06). Foto: APTensão entre policiais e manifestantes continuou na noite de sábado (01/06). Foto: APNo sábado, quase mil pessoas foram presas e dezenas ficaram feridas nas manifestações em várias cidades (01/06). Foto: APViolência policial espantou turistas e turcos no fim de semana (01/06). Foto: APManifestantes e forças de segurança se enfrentam pelas ruas de Istambul (01/06). Foto: APPolícia usou água para espantar manifestantes em Istambul (01/06). Foto: APForças polícias usaram gás lacrimogêneo contra manifestantes na praça Taskim, em Istambul (01/06). Foto: APManifestantes usaram pedras contra a polícia em Istambul (01/06). Foto: AP

Durante toda a terça-feira, a tropa de choque da polícia disparou gás lacrimogêneo e jatos de água contra manifestantes que jogavam pedras e soltavam fogos de artifício. A instabilidade não cessou até pouco antes do amanhecer.

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Erdogan insiste que as manifestações e as ocupações, que, segundo ele, prejudicam a imagem e a economia da Turquia, devem acabar imediatamente.

Os protestos começaram em 31 de maio após uma violenta repressão policial contra ativistas pacíficos que se opunham a um projeto que acabaria com o Parque Gezi. As manifestações se espalharam para 78 cidades no país e atraíram milhares de cidadãos todas as noites.

Com AP

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