Google pede autorização dos EUA para revelar detalhes de ordens secretas

Por iG São Paulo |

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Empresa crê poder provar que não entregou dados de usuários em ampla escala para o Prism se revelar detalhes sobre os mandados. Facebook e Microsoft também fazem apelo

O Google pediu ao governo do presidente dos EUA, Barack Obama, permissão para revelar mais detalhes sobre as requisições governamentais para entrega de email e de outras informações pessoais transmitidas online em um esforço para se distanciar da controvérsia envolvendo um programa secreto americano de interceptação de dados de internet.

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Em uma mostra de união, as rivais do Google Microsoft e Facebook também apoiaram a tentativa de pressionar o Departamento de Justiça dos EUA para suavizar o aparato legal que limita a divulgação de informações sobre a vigilância feita com autorização de uma corte secreta para proteger a segurança nacional.

O Google fez seu apelo em uma carta endereçada ao secretário de Justiça americano, Eric Holder, e ao diretor do FBI (polícia federal dos EUA), Robert Mueller. A empresa está tentando Google desacreditar reportagens de que a companhia criou uma forma para que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) tivesse acesso a grandes quantidades das comunicações online de seus usuários como parte de um programa secreto chamado Prism.

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As informações surgiram na semana passada depois que Edward Snowden, ex-técnico da CIA (agência de inteligência americana) e ex-funcionário de uma prestadora de serviços da NSA, vazou documentos confidenciais revelando que a NSA tem acesso aos computadores do google e de muitos outros serviços de internet para recolher informações sobre estrangeiros que vivem fora dos EUA. As outras companhias vinculadas ao Prism são Microsoft, Facebook, Yahoo, Apple, AOL, Paltalk, YouTube (do Google) e Skype (da Microsoft).

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Todas as companhias e serviços negaram deram acesso irrestrito ao governo dos EUA aos dados dos usuários. As companhias dizem que apenas entregam dadas sob mandados legalmente vinculantes, e tentam regularmente resistir a ordens consideradas muito amplas.

Atenuar a participação de seu envolvimento no Prism é importante para as empresas de tecnologia. Elas não querem que os que navegam pela internet se tornem paranoicos sobre o ato de compartilhar informação pessoal em seus serviços ou, pior ainda, evitem acessar seus sites. Atrair grandes audiências ajuda as companhias a vender mais anúncios. Essas propagandas determinam os altos preços e são veiculadas mais frequentemente quando as companhias são capazes de decifrar os dados pessoais e determinar quais partes da audiência têm mais probabilidade de se interessar por certos produtos.

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Os riscos são particularmente altos para o Google, que vendeu US$ 44 bilhões em anúncios digitais apenas no ano passado.

James Clapper, o diretor de Inteligência Nacional de Obama, confirmou na semana passada que o Prism foi aprovado por um juiz e é conduzido de acordo com a lei americana. Ele não listou as companhias que cooperam. Essas identificações vieram de documentos do Prism vazados pelos jornais Washington Post, dos EUA, e pelo Guardian, do Reino Unido.

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Sala judicial em Washington que abriga a secreta Corte de Vigilância de Inteligência Externa dos EUA é vista em espelho de garagem à esquerda (06/06)

Google também se retratou como um participante involuntário do programa. Executivos em Mountain View, Califórnia, dizem que não sabiam do Prism até lerem sobre o programa pela primeira vez na semana passada. A empresa insiste que não tem entregado dados dos usuários em uma escala ampla, algo que acredita poder provar se receber autorização para revelar o número de pedidos a que foi submetida sob a Corte de Vigilância de Inteligência Externa (Fisa, na sigla em inglês). A lei federal atualmente proíbe os destinatários dos mandados judiciais da Fisa de revelar informações sobre eles.

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"Os números do Google mostrariam claramente que nossa complacência com essas ordens é muito menor do que as alegações que são feitas", escreveu o chefe jurídico da empresa, David Drummond, a Holder e Mueller. "O Google não tem nada a esconder."

Em sua própria declaração, a Microsoft disse querer ser mais acessível sobre a questão se o Departamento de Justiça permiti-lo. "Permitir uma transparência maior sobre o volume e o escopo das requisições de segurança nacional, incluindo as ordens da Fisa, ajudaria a comunidade entender e debater essas importantes questões", disse a companhia.

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Ted Ullyot, o conselheiro geral do Facebook, disse que o líder das redes sociais quer fornecer um "retrato completo dos pedidos que recebemos do governo e de como respondemos".

*Com AP

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