Acusado de raptar mulheres em Ohio, Ariel Castro se declara inocente

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Suspeito de sequestrar e manter em cativeiro três mulheres em sua casa por dez anos ficou em silêncio durante leitura do indiciamento

Um homem acusado de sequestrar e manter em cativeiro três mulheres em sua casa em Cleveland por quase dez anos se declarou inocente das centenas de acusações, incluindo rapto e estupro, diante de um tribunal nesta quarta-feira (12).

Ariel Castro foi indiciado por sequestrar três mulheres e mantê-las na casa - algumas vezes, amarradas com correntes - junto a uma garota de seis anos, filha de Castro com uma das mulheres sequestradas.

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AP
Ariel Castro ouve leitura de sua acusação diante de júri em Cleveland, EUA

Castro, 52 anos, não falou durante a leitura da denúncia, que durou menos de um minuto. Ele ficou em pé, parado, usando as vestimentas laranjas das prisões americanas, e olhou diretamente para o chão enquanto a argumentação era feita no tribunal. Seus advogados devem fazer um comunicado mais tarde.

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O jurí indiciou Castro por dois crimes de homicídio qualificados relacionados a um ato, dizendo que ele propositadamente interrompeu a gravidez de uma das mulheres. Ele também foi indiciado por 139 acusações de estupro, 177 de rapto, sete de imposição sexual por violência, três de ataque à mão armada e um de posse de ferramentas criminosas.

O indiciamento de 142 páginas cobre apenas o período de agosto de 2002, quando a primeira vítima desapareceu, a fevereiro de 2007. Promotores afirmam que a investigação continuará e eles deixarão a porta aberta para tentar condenar Castro à sentença de pena de morte.

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As notícias de que as mulheres desaparecidas haviam sido encontradas vivas eletrizou a região de Cleveland, onde duas das vítimas se tornaram conhecidas depois anos de buscas e vigílias. Mas a euforia logo se transformou em choque quando começou a vir à tona informações sobre o tratamento a que foram submetidas durante todo esse tempo.

O indiciamento de Castro alega que ele repetidamente manteve as mulheres, às vezes acorrentando-as a um poste no porão, a um aquecedor no quarto ou dentro de uma van. O documento diz que quando uma das mulheres tentou escapar, ele a atacou com um cabo elétrico em volta do pescoço.

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Depois, ele as mudou para quartos no segundo andar da casa, onde elas foram mantidas prisioneiras, segundo os investigadores. Durante todo o período, Castro continuou dirigindo um ônibus escolar e tocando baixo em bandas locais. Ele foi demitido de seu emprego como motorista ano passado, depois de deixar seu ônibus sozinho por horas.

Castro ficou preso sob uma fiança de US$ 8 milhões, o que foi mantido. Semana passada, ele saiu da supervisão para evitar suicídio dentro da cadeia. Registros da prisão mostram que ele passa a maior parte do tempo dormindo, deitado em sua cama, assistindo TV e, às vezes, desenhando.

Castro foi preso em 6 de maio, pouco depois que uma das mulheres conseguiram abrir uma porta e gritou por ajuda para os vizinhos. Ela falou em um dramático telefonema para a emergência da polícia: "Ajude-me. Eu sou Amanda Berry. Eu fui sequestrada e estou desaparecida há dez anos. E eu estou, estou aqui, estou livre agora."

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As mulheres - Amanda, Gina DeJesus e Michelle Knight - foram sequestradas separadamente entre 2002 e 2004, quando elas tinham 14, 16 e 20 anos de idade. Todas elas afirmaram que haviam aceitado uma carona de Castro, que continuou amigo da família de DeJesus e até participou de vigílias marcando seu desaparecimento. As mulheres não falaram publicamente desde que foram resgatadas.

Amanda, 27 anos, afirmou aos policiais que ela foi forçada a dar à luz em uma piscina de plástico na casa. Amanda disse que ela, seu bebê e as outras duas mulheres resgatadas com ela nunca foram ao médico durante seu período em cativeiro.

Michelle, 32 anos, disse ter ficado grávida cinco vezes e em todas ela acabou abortando, pois Castro a fazia passar fome por ao menos duas semanas "e dava socos repetidamente em sua barriga até que ela perdesse o bebê", segundo as autoridades. Ela também disse que Castro fez com que ela ajudasse a realizar o parto de Amanda sob ameaça de morte, caso o bebê morresse. Ela disse que quando o recém-nascido parou de respirar, ela fez uma respiração boca a boca.

Com AP

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