Reunião de alto nível entre Coreias é cancelada, afirma Seul

Por iG São Paulo |

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Países rivais não conseguiram resolver impasse sobre quem lideraria cada delegação que participaria dos diálogos, marcados para ter início nesta quarta-feira

As primeiras reuniões de alto nível em seis anos entre as duas Coreias foram canceladas, por causa de um impasse sobre quem vai liderar cada delegação, informou a Coreia do Sul nesta terça-feira, na véspera do dia em que os diálogos teriam início. O cancelamento é um golpe na esperança de que os rivais pudessem melhorar seus laços após anos de crescente hostilidade.

A Coreia do Norte afirmou que não enviaria suas autoridades para Seul para o encontro de dois dias que deveria começar na quarta-feira, porque o Sul tinha alterado o presidente da delegação, disse Kim Hyung-suk, um porta-voz do Ministério da Unificação. O Ministério é quem cuida das relações com a Coreia do Norte.

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AP
Sala onde ocorreria reunião de alto nível entre as duas Coreias é vista vazia no Grand Hilton Hotel em Seul

A Coreia do Sul originalmente queria um encontro entre as principais autoridades das agências que cuidam das relações entre as Coreias em cada país, mas Pyongyang não poderia se comprometer com isso. Quando Seul disse a Pyongyang nesta terça-feira que enviaria uma autoridade com menor nível, a Coreia do Norte disse que consideraria aquilo uma "provocação", informou Kim.

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O cancelamento das negociações acontece, em parte, pelos mal-entendidos que os dois lados têm sobre quem é equivalente e quem possui mais poder em seus diferentes sistemas políticos, disse Koh Tu-hwan, especialista em Coreia do Norte na Universidade de Dongguk, Seul. "Os dois lados ficaram ofendidos agora. As relações podem novamente entrar em um período de reflexão antes que novas negociações sejam retomadas."

A Coreia do Norte não divulgou nenhum comunicado sobre o cancelamento do diálogo. As reuniões foram estabelecidas após 17 horas de negociações no domingo, mas os rivais não haviam debatido a questão sobre quem lideraria cada delegação. Kim disse que nesta terça-feira, a Coreia do Norte ofereceu enviar uma autoridade do Comitê para a Pacífica Reunificação da Coreia como delegado-chefe, e Seul disse que, então, enviaria seu vice-ministro da Unificação.

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Anteriormente, a Coreia do Sul havia proposto enviar seu ministro da Unificação. Depois que anunciou que o vice iria, a Coreia do Norte disse que não mandaria ninguém e que a "responsabilidade é inteiramente da Coreia do Sul". Ele acrescentou que Seul ainda está aberta para negociações se a Coreia do Norte reconsiderar.

O principal objetivo das reuniões era reviver alguns projetos de cooperação econômica entre as duas Coreias. O último destes programas, um complexo industrial que funcionava com mão de obra norte-coreana e know-how sul-coreano, foi fechada em meio ao aumento das tensões entre os dois países.

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Os diálogos marcariam uma melhora nos laços amplamente estremecidos entre os dois países. Os últimos anos testemunharam testes nucleares de Pyongyang, lançamentos de foguetes de longo alcance e ataques que deixaram 50 sul-coreanos mortos em 2010.

O encontro de quarta também incluiria discussões sobre a retomada de viagens de sul-coreanos a um resort em uma montanha na Coreia do Norte, a reunião de famílias separadas e outras questões humanitárias, disseram autoridades. O assunto mais crucial para Washington, porém - uma pressão para persuadir a Coreia do Norte a desistir de suas armas nucleares -, não seria discutido.

Com AP

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