Ataque suicida perto da Suprema Corte em Cabul deixa 17 mortos

Por iG São Paulo |

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Taleban reivindicou responsabilidade pelo segundo dia consecutivo de ataques lançados contra a capital do Afeganistão

Um carro-bomba explodiu do lado de fora da Suprema Corte na capital afegã nesta terça-feira (11), deixando ao menos 17 mortos e ferindo 39, no segundo dia consecutivo de ataques militantes no coração de Cabul. O Taleban reivindicou responsabilidade pelo ataque, dizendo que seus combatentes matarão os juízes que obedecem os poderes ocidentais.

O presidente Hamid Karzai condenou o atentado, dizendo que era outro "ato terrorista que mais uma vez mostra que o Taleban serve os inimigos do Islã". Esse foi o ataque mais mortal em Cabul desde 6 de dezembro de 2011, quando um homem-bomba detonou explosivos em um santuário xiita, deixando ao menos 80 mortos.

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A explosão desta terça ocorreu enquanto funcionários do tribunal estavam deixando o prédio pela porta de trás após um dia de trabalho, a maior parte deles em carros privados, informou o policial Jahn Agha. O porta-voz da polícia Hashmat Stanikzai disse que o insurgente dirigiu uma SUV e tinha como alvo alguns ônibus lotados com funcionários da Corte. Segundo a polícia, todas as vítimas eram civis ou funcionários do tribunal.

O tribunal fica localizado em uma rodovia principal no centro de Cabul, perto da embaixada americana. Uma sede da Otan também fica próxima ao local.

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O porta-voz do Taleban Zabiullah Mujahid reivindicou responsabilidade pelo ataque, dizendo em comunicado que os militantes eram obrigados a atacar "juízes cruéis" que fazem apelos aos poderes estrangeiros.

O Taleban e outros grupos militantes lançaram uma onda de ataques e assassinatos em torno do país, testando a habilidade das forças de segurança afegãs de resonder com menos ajuda da coalizão internacional, que começou a realizar a retirada de suas tropas, marcada para chegar ao fim em 2014.

O Taleban acrescentou que iria atrás de funcionários do governo como parte de sua campanha contra aqueles que servem ao governo "de marionetes" de Hamid Karzai. "O Emirado Islâmico do Afeganistão foi obrigado a agir contra esse regime de marionetes, porque o povo vem sofrendo com seus tribunais", disse Mujahid, se referindo ao Taleban com o mesmo nome o grupo usava quando governava o Afeganistão.

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Na segunda-feira, sete combatentes do Taleban com granadas e metralhadoras lançaram um raro ataque à sede operacional da Otan na seção militar do aeroporto internacional de Cabul. Todos os sete militantes foram mortos e dois civis ficaram feridos com a violência.

O ataque fracassado mostrou que apesar do enorme cordão de segurança em torno da capital, insurgentes ainda são uma ameaça para Cabul. Mais cedo na terça-feira, a ONU no Afeganistão expressou preocupação com um aumento das mortes entre os civis nos primeiros seis meses do ano.

Jan Kubis, o representante especial da ONU para o Afeganistão, disse que 3.092 civis foram mortos ou feridos de janeiro a junho. Isso representou 24% de crescimento nos primeiros seis meses de 2013, comparado ao mesmo período no ano passado.

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Entretanto, Kubis se recusou a fornecer uma lista completa dos mortos e feridos, dizendo que esses números seriam lançados em julho. Isso não deixou claro se o que aumentou foi o número de mortos ou o número de feridos. Kubis culpa o aumento da insurgência, dizendo que os grupos militantes tentavam tirar vantagem da retirada das tropas estrangeiras no Afeganistão para intensificar seus ataques.

"Por causa de sua campanha, as perdas civis aumentaram e a situação piorou", disse Kubis.

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Em 2012, as mortes de civis caíram para 2.754, uma queda de 12% em relação aos 3.131 no mesmo período em 2011. Essa tinha sido a primeira vez em seis anos que o número de civis mortos caiu.

Em 29 de maio, os insurgentes atacaram um complexo que abrigava o Comitê Internacional da Cruz Vermelha no leste do Afeganistão e mataram um funcionário afegão do grupo. Cinco dias antes, seis homens-bomba atacaram os gabinetes da Organização para a Migração, afiliada a ONU, em Cabul. Durante o ataque, três afegãos morreram antes de os insurgentes serem mortos pelas forças de segurança.

"Qualquer ataque contra os humanitários é um ataque contra os civis", disse Kubis.

Com AP

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