Americano que vazou rede espiã dos EUA testa liberdades civis em Hong Kong

Por iG São Paulo |

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Edward Snowden escolheu refugiar-se em Hong Kong pela 'liberdade de expressão' garantida no território, mas ativistas dizem que aos poucos China retira autonomia da cidade

O possível processo de extradição em Hong Kong envolvendo um norte-americano que revelou as atividades de monitoramento do governo dos EUA pode se transformar em um teste para as liberdades civis no território pertencente à China. 

Edward Snowden, 29 anos, ficou conhecido no mundo inteiro depois que os jornais The Guardian e The Washington Post publicaram uma série de documentos secretos definindo dois programas de monitoramento da NSA.

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Reprodução/ Guardian
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Um reúne milhões de registros telefônicos americanos para permitir a procura por possíveis conexões entre pessoas nos EUA e terroristas no exterior, e um segundo que permite ao governo coletar dados secretamente de nove empresas de internet dos EUA para detectar comportamentos suspeitos no exterior.

Snowden, ex-prestador de serviços na Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês) dos EUA, optou por Hong Kong como refúgio para divulgar detalhes dos programas, dizendo ter escolhido a cidade por seu "impetuoso compromisso com a liberdade de expressão e com o direito à dissidência política".

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Ativistas e políticos pró-democracia se queixam de que desde 1997, quando Hong Kong voltou ao controle chinês, Pequim vem gradualmente retirando liberdades do território, apesar das salvaguardas constitucionais que lhe concedem um elevado grau de autonomia.

Snowden já deixou o hotel de luxo onde se hospedou enquanto os jornais The Guardian e The Washington Post publicavam os detalhes da sua revelação. Mas Ewen MacAskill, jornalista do Guardian na cidade, disse que o denunciante continua em Hong Kong, possivelmente preparando-se para uma batalha jurídica.

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"Imagino que haverá uma verdadeira batalha entre Washington, Pequim e os grupos de direitos civis quanto ao seu futuro", disse MacAskill à Reuters. "Eles (EUA) poderiam ter tomado todos os tipos de ações contra ele. Agora parece que a única disponível para eles é um pedido de extradição", acrescentou o jornalista, recusando-se a revelar detalhes sobre os movimentos ou paradeiro de Snowden.

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Ao elogiar as liberdades e a autonomia de Hong Kong, Snowden deu mais importância ao conteúdo político do eventual pedido norte-americano de extradição, que pode se arrastar por meses nos tribunais.

Hong Kong e os EUA têm um tratado de extradição em vigor desde 1998, já usado em numerosas ocasiões. No entanto, Pequim pode bloquear qualquer extradição se acreditar que isso afeta a defesa nacional ou questões de política externa.

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Snowden pode contestar o pedido de extradição dos EUA, e também pode solicitar asilo político -um processo que também leva meses ou mesmo anos. Por enquanto, ele tem um visto que lhe permite permanecer por mais dois meses no território. Caso solicite uma prorrogação, o governo de Hong Kong poderá recusar.

Fontes jurídicas disseram que Snowden provavelmente terá assessoria de advogados locais, inclusive dois dos mais conhecidos, Philip Dykes e Mark Daly, que já se envolveram em casos relevantes no passado.

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A China até agora não comentou o caso, por causa de um feriado de três dias nesta semana. A cobertura midiática também foi discreta, e o jornal estatal Diário do Povo saiu com uma manchete obscura: "Segurança nacional encontra a privacidade pessoal; esquema de vigilância secreta do governo dos EUA tem discussão intrigada".

Com Reuters

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