Hezbollah posiciona Líbano na defesa de Assad na Síria

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Membro do Parlamento, grupo acirra disputa política entre xiitas e sunitas libaneses e pode quebrar a tênue paz interna do país, obtida depois de uma guerra civil de 15 anos

O quadro do conflito sírio segue complicado. Na semana passada, reportagem ao vivo da BBC, de Londres, mostrou tropas com bandeiras do grupo xiita libanês Hezbollah comemorando a retomada da cidade de Al-Qusair, que estava dominada pelos rebeldes. Foram duas semanas de luta. A bela cidade froteiriça entre Síria e Líbano foi destruída.

Qusair: Exército da Síria anuncia recaptura de cidade estratégica

AP
Imagens divulgadas pela TV Al-Manar mostra tratores do Exército sírio limpando as ruas de Qusair

Advertência: Cruz Vermelha alerta sobre cidade sitiada na Síria

No momento, poucos metros separam os libaneses do conflito, mas não se deve esquecer a esdrúxula situação do Hezbollah. O Partido de Deus está representado no Parlamento. Assim, em termos jurídicos, o Líbano de fato vem participando do confronto em defesa do presidente sírio, Bashar al-Assad.

NYT: Hezbollah assume riscos ao combater rebeldes sírios em defesa de Assad

O Líbano tinha eleições marcadas para este mês, mas foram adiadas. A votação em si, separada de outras realidades da região, ameaçava estourar um choque interno. Os sunitas, grupo arábe majoritário no Oriente Médio, adotaram várias atitudes de protesto contra o fato de o Hezbollah ser um “Estado dentro do Estado” e contra a presença de suas tropas de apoio armado ao governo sírio, sem concordância do Executivo e do povo libaneses. Esse confronto político entre xiitas e sunitas pode quebrar a tênue paz interna, que foi obtida há alguns anos, depois de uma guerra civil de 15 anos.

General que se diz representante da maioria rebelde foi muito explícito: “Como o Hezbollah é uma força libanesa dentro da Síria, temos o direito de atacá-los na sua base de origem.” A cidade de Baalbek, centro do Líbano, foi alvo de foguetes supostamente lançados pelos rebeldes.

Cenário: Conflito sírio aumenta tensão de Israel com o libanês Hezbollah

Além do braço armado do Hezbollah, existem várias milícias no Libano. Onde tem pólvora, sempre pode haver explosão. A União Europeia votou liberar o fornecimento de armas aos rebeldes, que lutam em inferioridade com o governo. As forças de oposição querem tanques e aviões para acabar com Assad. Mas apesar de favoráveis ao auxílio militar, nenhum dos países da União Europeia, nem mesmo os maiores, começou a fornecê-lo. Alegam que não há clareza sobre quem é a força majoritária dos rebeldes, que vão desde a grupos alinhados à Al-Qaeda até democráticos alinhados ao Ocidente.

Medida: União Europeia levanta embargo de armas contra rebeldes sírios

Frente al-Nusra: Grupo rebelde na Síria promete lealdade à Al-Qaeda

Receia-se que, independentemente de a revolta sair vitoriosa do conflito, essas armas fiquem nas mãos de antiocidentais, como a Al-Qaeda. Enquanto isso, a Rússia se opõe firmemente a quaisquer iniciativas militares europeia e americana no conflito, mesmo que seja comprovado que a Síria teria usado armas químicas, desrespeitando todas regras da Convenção de Genebra. Moscou não declarou, até agora, que não fornecerá a Assad os mísseis modernos adquiridos junto à sua indústria local. É bom lembrar que os russos têm uma base naval na Síria, realizando sonho dos tempos do regime soviético de ter um porto no Mar Mediterrâneo.

Denúncias:
- França: Testes confirmam uso de sarin na Síria. ONU aponta possível utilização
- Israel acusa governo Assad de usar armas químicas contra rebeldes sírios
- EUA suspeitam de uso de armas químicas por Síria
- Exames em sírios mostram sinais de uso de armas químicas, diz Turquia

Seria interesse do Irã manter o mundo concentrado na questão síria, pois enquanto isso, enfraquece a vigilância de seu programa nuclear, que é a grande preocupação americana e israelense. O Hezbollah conquistou, para Assad, a cidade de Quneitra, ao lado das Colinas do Golan, anexadas por Israel após a guerra de 1967. Rebeldes possuíam aquele ponto estratégico. O Estado judeu tem se empenhado, ao máximo, em não participar do conflito sírio. O que tem feito é aceitar feridos, em estado grave, para internação em hospitais.

Havia previsão de reunião de cúpula entre EUA, Rússia e Turquia, cujo objetivo seria um plano de paz. Nem o governo sírio, tampouco os rebeldes aceitaram participar, sem precondições. Os oposicionistas, no mínimo, querem o Hezbollah fora da batalha. Assad não aceita discutir a ideia de renúncia. O encontro foi adiado, segundo a BBC, sem data prevista para se realizar. Milhares de civis morrerão até lá. Muitos monumentos da antiguidade, em Damasco, serão destruídos.

*Com colaboração de Nelson Burd

Leia tudo sobre: nahum sirotskysírialíbanohezbollahmundo árabeprimavera árabe

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas