Ex-funcionário da CIA diz ter vazado dados sobre vigilância secreta dos EUA

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Funcionário de empresa que presta serviço a governo americano se refugiou em Hong Kong após revelar espionagem dos EUA em telefones e na internet e prevê pedir asilo à Islândia

Reprodução/ Vídeo do Guardian
Edward Snowden, que revelou o programa de monitoramento da NSA: 'Não tenho nenhuma intenção de esconder quem sou porque sei que não fiz nada de errado'

Um americano de 29 anos que trabalha como empregado terceirizado na Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) é a fonte que o jornal britânico Guardian usou para revelar os programas de monitoramento pelos quais os EUA coletam em massa registros telefônicos americanos e de uso da internet por estrangeiros.

Senadores: EUA mantêm ampla base de dados de ligações telefônicas

Rastreamento: EUA coletam secretamente dados de nove empresas de internet

Os vazamentos reabriram o debate posterior aos ataques do 11 de Setembro sobre as preocupações de privacidade versus o aumento de medidas para proteger os americanos de atentados terroristas e levaram o NSA a pedir ao Departamento de Justiça que conduza uma investigação criminal no caso.

O Guardian afirmou que publicava a identidade de Edward Snowden, um ex-assistente técnico da CIA (agência de inteligência dos EUA) e atual empregado da empresa de defesa Booz Allen Hamilton, a seu próprio pedido. "Não tenho nenhuma intenção de esconder quem sou porque sei que não fiz nada de errado", Snowden disse, segundo citação do jornal britânico.

Inteligência: Revelação de programas de vigilância põe EUA em risco, diz Clapper

Clapper: EUA obtêm dados com conhecimento das empresas de internet

O direitor de Inteligência Nacional, James Clapper, caracterizou a revelação dos programas de compilação de informações de inteligência como deplorável, e nos últimos dias adotou a rara medida de levantar a confidencialidade sobre eles para responder a reportagens sobre as técnicas contraterrorismo empregadas pelo governo.

Um programa que vasculha a internet, chamado de prism, permite à NSA e ao FBI (polícia federal americana) acessar diretamente os servidores de grandes companhias de internet dos EUA, como o Google, Apple, Microsoft, Facebook e AOL, obtendo emails, chats de vídeo, mensagens instantâneas e mais para rastrear estrangeiros suspeitos de terrorismo ou espionagem.

Furo do Guardian: EUA coletam secretamente registros telefônicos da Verizon

A NSA também coleta os registros telefônicos de milhões de clientes americanos, mas não suas conversas. O presidente dos EUA, Barack Obama, Clapper e outros disseram que os programas foram autorizados pelo Congresso e são submetidos à rígida supervisão de uma corte secreta.

Obama: Monitoramento de telefone e web equilibra 'segurança e privacidade'

O Guardian cita Snowden como dizendo que sua "única motivação é informar o público sobre o que é feito em seu nome e o que é feito contra ele".

O jornal britânico informou que Snowden trabalhava no escritório da NSA no Havaí quando copiou os últimos documentos que planejava revelar e disse a supervidores que precisava se afastar por algumas semanas para receber tratamento por epilepsia.

Ele partiu em direção a Hong Kong em 20 de maio, onde permanece desde então, segundo o jornal. Ao jornal, Snowden disse que escolheu essa cidade "porque ela tem um forte compromisso com a liberdade de expressão e o direito ao dissenso político" e porque acredita que é um dos lugares do mundo que poderia e resistiria aos ditames do governo americano.

Cenário: Revelações sobre vigilância alimentam debate sobre privacidade nos EUA

Segundo o jornal, Snowden afirmou esperar que a publicidade que os vazamentos desataram lhe garantam alguma proteção e avalia o asilo, talvez na Islândia, como uma possibilidade. "Sinto com satisfação que valeu a pena. Não tenho nenhum arrependimento", disse Snowden ao Guardian.

Há informações de que ele trabalhou na segurança de TI para a CIA e, até 2007, ficou em Genebra com disfarce diplomático, responsável por manter a segurança da rede de computação. Isso lhe deu acesso a vários documentos confidenciais, de acordo com a publicação britânica.

"Muito do que vi em Genebra realmente me decepcionou sobre como o governo funciona e qual o impacto que produz no mundo", disse. "Percebi ser parte de algo que fazia mais mal do que bem."

*Com AP

Leia tudo sobre: registros da internetregistros da verizonfbinsafisaato patrióticoprismeuasnowden

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas