Erdogan volta nesta quinta-feira de uma viagem que faz ao norte da África enquanto manifestantes continuam a protestar contra seu governo nas principais cidades

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, retorna nesta quinta-feira (6) à Turquia de um viagem ao norte da África para que peça desculpas pelo repressão aos  protestos contra seu governo e puna aqueles que a encomendaram. Manifestantes protestam em Istambul, Ancara e em outras cidades do país há uma semana, e muitos deles pedem a saída do premiê, que está há dez anos no poder.

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Foto do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, é alterada para que ele se parecesse com Adolph Hitler é colocada na praça Taksim, Istambul
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Reduzindo o peso dos protestos a ações de extremistas e saqueadores, Erdogan deixou o país na segunda-feira em direção ao Norte da África. O premiê afirmara na ocasião que esperava que os protestos não durassem muito tempo.

Apesar do intenso uso de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e canhões de água pela polícia, os manifestantes não cessaram seus protestos nos centros das cidades, em um movimento que teve início como uma marcha pacífica contra a reforma de um parque na praça Taksim, em Istambul.

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Na Tunísia, Erdogan prometeu levar adiante a construção no parque. Segundo ele, "grupos terroristas", incluindo o que assumiu a autoria do atentado a bomba de 1º de fevereiro na Embaixada dos EUA em Ancara , estão manipulando as multidões. Ele informou que há sete estrangeiros entre os detidos.

"Se você disser: ‘Vou promover uma reunião e queimar e destruir', não vamos permitir isso", afirmou ele após reunião com seu homólogo tunisiano. "Somos contra que a maioria domine a minoria, e não podemos tolerar o contrário."

Ao restringir seus comentários a um grupo de manifestantes, Erdogan pode ter tentado baixar o tom em relação ao que disse antes de embarcar para a África, no começo da semana, quando atribuiu termos generalizantes aos manifestantes, como saqueadores. Os manifestantes acusam Erdogan de crescente autoritarismo e os protestos ganharam outras cidades do país depois da violenta repressão policial.

O policial Mustafa Sari morreu nesta quinta-feira após ter caído de uma ponte enquanto tentava intervir nos protestos, segundo informações de agências de notícias locais. Dois manifestantes também morreram nos choques com a polícia e milhares ficaram feridos desde sexta-feira.

Para evitar tumultos, o vice-primeiro-ministro do país, Bulent Arinc, adotou um tom mais conciliatório nesta semana em que o premiê ficou fora. Arinc pediu desculpas pela agressão policial contra cidadãos que estavam no seu direito legítimo de protestar. Em compensação, ele criticou aqueles que causaram "destruição nas ruas e interferirram na liberdade das pessoas".

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No porto de Rize, segundo a rede britânica BBC, um grande número de partidários de Erdogan atacou uma pequena reunião de jovens que faziam protestos na quarta-feira. A polícia teve que intervir para protegê-los. Apaprentemente, essa é a primeira vez em que se registra um confronto entre grupos rivais desde o começo da revolta.

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Também na quarta, a polícia deteve 25 acusados de "espalhar inverdades" nas mídias sociais e de supostamente incitar a população a se unir à onda de protestos contra o governo. As detenções ocorreram na noite de terça-feira na cidade de Izmir, no oeste do país, segundo a agência Anadolu. A polícia estava buscando outros 13 acusados.

Com Reuters e agências internacionais

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