Vice-premiê da Turquia pede desculpas a manifestantes pacíficos feridos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo Bulent Arinc, protestos originais em relação ao Parque Gezi, em Istambul, foram 'justos e legítimos'; governador de província confirma morte de manifestante de 22 anos

O vice-primeiro-ministro da Turquia, Bulent Arinc, pediu desculpas nesta terça-feira (4) aos manifestantes feridos em protestos pacíficos contra a demolição de um parque em Istambul. As manifestações originais sobre o Parque Gezi "foram justos e legítimos", disse Arinc.

Os protestos, que tiveram início pacífico, escalonaram para choques violentos entre a polícia e manifestantes, que passaram a pedir a renúncia do atual premiê, Recep Tayyip Erdogan. As manifestações se espalharam pelas maiores cidades da Turquia e entraram em seu quinto dia nesta terça.

Erdogan: Premiê rejeita rótulo de 'Primavera Turca' em dia de protestos no país

AP
Manifestante segura bandeira da Turquia decorada com a imagem do fundador da Turquia Mustafa Kemal Ataturk, durante protesto na praça Taksim em Istambul (3/6)

Testemunho: Brasileiros relatam conflitos e 'apagão mediático' em Istambul

Entretanto, Arinc, durante uma coletiva concedida em Ancara, acrescentou: "Não acho que precisamos nos desculpar por aqueles que provocaram a destruição da propriedade pública nas ruas e tentaram impedir a liberdade das pessoas nas ruas."

Também nesta terça-feira, a Confederação dos Sindicatos de Trabalhadores Públicos da Turquia (Kesk) iniciou uma greve de dois dias para protestar contra o que chamou de "fascismo" do partido governante de Erdogan.

No domingo: Premiê turco acusa oposição por prostestos

A Associação Médica da Turquia afirmou que ao menos 3.195 manifestantes ficaram feridos nos choques com a polícia entre domingo e segunda-feira. De acordo com a associação, 26 deles estão em estado grave. Já a Associação de Direitos Humanos da Turquia coloca o número de feridos em ao menos 1,3 mil.

A associação informou na segunda que Mehmet Ayvalitas, manifestante de 20 anos, morreu em decorrência dos seus ferimentos após ter sido atingido por um carro no domingo em Istambul.

Nesta terça, o governador da Província de Hatay afirmou que Abdullah Comert, 22 anos, morreu em um hospital após ter sido atingido por um tiro em uma manifestação na cidade de Antakya.

Assista ao vídeo sobre o quinto dia de protestos:

O governador sugeriu, entretanto, que o tiro que atingiu a vítima partiu de manifestantes que tentavam inflamar as tensões, afirmando que a polícia também foi alvo de disparos durante o protesto.

Leia mais: Principais cidades da Turquia amanhecem sujas após protestos

Erdogan: Premiê turco pede fim de protestos em meio à violência

Mas o promotor chefe da província disse que uma autópsia mostrou que Comert recebeu um golpe na cabeça e não havia nenhum vestígio de ferimento a bala. Segundo ele, autoridades lançaram uma investigação sobre a morte.

Centenas se juntaram aos protestos contra o governo por toda a Turquia desde sexta-feira, quando a polícia reprimiu violentamente um protesto pacífico por causa de um plano das autoridades para fazer mudanças no Parque Gezi, na praça Taksim, em Istambul. Os protestos se tornaram a maior manifestação contra o governo de Erdogan em anos, desafiando seu poder.

Os confrontos entre manifestantes e a tropa de choque continuaram até tarde da noite de segunda-feira em Istambul, Ancara e outras cidades. A Associação de Direitos Humanos da Turquia afirmou que cerca de 3,3 mil foram detidos em todo o país durante os quatro dias de protestos, embora a maior parte tenha sido liberada.

AP
Mulher sentada entre estudantes de ensino médio ergue suas mãos e grita palavras de ordem no Parque Gezi em Istambul (4/6)

1º de junho: Turquia vive segundo dia de protestos contra governo

Nesta terça, centenas de policiais da tropa de choque apoiados por canhões de água estavam posicionados em torno da principal praça de Ancara, perto do gabinete de Erdogan.

Em uma tentativa de acalmar as tensões, o presidente Abdullah Gul fez uma reunião em Ancara com o vice-premiê. Gul elogiou os manifestantes em sua maioria pacíficos por expressarem seus direitos democráticos. Enquanto isso, Erdogan rejeitou as exigências dos manifestantes para que ele renuncie e reduziu os protestos a ações de extremistas e opositores.

Com AP e agências internacionais

Leia tudo sobre: protestos na turquiaturquiaerdoganarincpraça taksim

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas