Incêndio em abatedouro de aves deixa 119 mortos na China

Por iG São Paulo |

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Corpo de Bombeiros trabalha com a hipótese de que vazamento de amoníaco tenha provocado chamas; relatos de trabalhadores indicam que saídas estavam emperradas

Um incêndio atingiu um abatedouro de aves e deixou ao menos 119 mortos no nordeste da China nesta segunda-feira (3), informaram autoridades e a imprensa estatal. Outras dezenas ficaram feridas no incêndio, que começou pouco depois do amanhecer perto de Dehui, na província de Jilin.

Segundo a agência estatal Xinhua, as chamas foram provocadas por três explosões. O corpo de bombeiros da província em seu microblog atribuiu as explosões a um vazamento de amoníaco, gás que é mantido sob pressão, como parte do sistema de refrigeração em instalações onde se processa carne.

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Reuters
Fumaça é vista no local de um abatedouro de aves em Dehui, província de Jilin

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O incêndio foi um dos piores desastres industriais a atingir a China nos últimos anos, com o maior número de mortos desde o desabamento de uma mina em setembro de 2008 que ceifou 281 vidas.

A televisão estatal CCTV citou trabalhadores não identificados dizendo que o incêndio teve início durante uma troca de turnos em uma sala trancada no momento em que 350 trabalhadores estavam no abatedouro, propriedade de Jilin Baoyuanfeng Poultry Co.

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Não ficou claro quantos trabalhadores haviam sido contabilizados e uma autoridade do governo provincial afirmou, sob condição de anonimato, que esperava que o número de mortos se elevasse à medida em que mais corpos fossem recuperados do edifício.

O interior "complicado" da instalação, as saídas estreitas e o portão trancado tornaram a fuga difícil para os trabalhadores, disse um dos sobreviventes à agência Xinhua.

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Alguns empregados acionaram o alarme pouco depois do início do turno às 6h, e em seguida, as luzes se apagaram, aumentando o pânico enquanto trabalhadores corriam para encontrar a saída. "Quando eu finalmente consegui sair e olhei para trás, vi chamas muito altas", disse Wang Fengya, 44 anos, à agência Xinhua.

Outro trabalhador, Guo Yan, 39 anos, disse que a saída de emergência em sua estação de trabalho estava emperrada e que ela foi jogada no chão enquanto trabalhadores tentavam sair desesperados por uma porta lateral. "Eu só podia rastejar para frente", disse Guo. "Eu trabalho ao lado de uma senhora e uma jovem, mas não sei se elas sobreviveram ou não."

O incêndio deixou 119 mortos e 54 feridos estavam sendo tratados em hospitais, informou o governo da província em seu microblog. Por volta do fim da tarde, as chamas foram controladas por cerca de 500 bombeiros, e corpos foram recuperados de prédios carbonizados.

A tragédia destaca a falta de padrões de segurança em muitos locais de trabalho na China, apesar do esforço por melhorias através de inspeções regulares e multas.

A população recorreu às redes sociais para expressar sua revolta. "Esse lugar nunca foi inspecionado regularmente pelas autoridades de combate a incêndios?", escreveu um usuário do Sina Weibo, popular serviço de microblogs do país, similar ao Twitter.

"Autoridades de primeiro escalão têm de ser demitidas por causa disso", escreveu outro. Segundo a Xinhua, parentes das vítimas se reuniram do lado de fora do matadouro para "exigir que o governo investigue e anuncie a causa do acidente o mais rápido possível".

Com AP e Reuters

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