Ataque mata nove crianças no leste do Afeganistão

Por iG São Paulo |

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Homem-bomba tentava atingir delegação estrangeira; dois membros da coalizão internacional e um policial afegão também foram mortos

Um ataque de homem-bomba no leste do Afeganistão deixou 12 mortos nesta segunda-feira, incluindo nove crianças que caminhavam nos arredores e dois membros dos serviços internacionais.

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O ataque ocorre em meio ao aumento de ataques do Taleban e outros militantes contra postos policiais em todo o país, o que representa um importante teste aos soldados afegãos e à polícia para manter a segurança do país sem a ajuda estrangeira, que se prepara para a retirada total em 2014.

O general Zelmia Oryakhail, chefe de polícia da província de Paktia, disse que o suicida estava em uma motocicleta quando detonou seus explosivos no distrito de Samkani, enquanto as forças americanas passavam. Ele disse que uma escola local tinha acabado de deixar seus alunos, com idades entre 10 e 16 anos, do lado de fora.

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Uma delegação do Exército americano havia acabado de participar de uma reunião de segurança no gabinete administrativo do distrito, afirmou o chefe distrital Saleh Mohammad Ahsas, que estava presente no encontro. Ele disse que o homem-bomba aparentemente aguardava a saída da delegação e detonou seus explosivos assim que os integrantes deixaram o complexo.

A coalizão do Exército dos EUA no Afeganistão confirmou que dois dos seus membros morreram na explosão. No entanto, as nacionalidades das vítimas não foram divulgadas. Nove estudantes e um policial afegão também morreram, informou o Ministério do Interior do país.

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Sete civis afegãos incluindo duas crianças também foram mortos nesta segunda-feira na província de Laghman quando seu veículo foi atingido por uma bomba colocada na beira de uma  estrada. Um comunicado do governo provincial disse que um grupo de quatro mulheres e duas crianças havia ido com um motorista nas montanhas para apanhar lenha. No caminho de volta, seu veículo foi atingido por explosivos e todos os passageiros foram mortos.

O Exército afegão e a polícia estão combatendo a violência esse ano com pouca ou nenhuma ajuda das forças internacionais, que estão no Afeganistão desde a invasão das tropas lideradas pelos EUA em 2001 para derrubar o Taleban, depois do grupo ter abrigado a liderança terrorista da Al-Qaeda após os ataques de 11 de Setembro em solo americano.

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Enquanto a retirada da maior parte das forças internacionais se aproxima, a insurgência parece ter intensificado seus ataques. Uma campanha de execução contra chefes de polícia e autoridades do governo locais também continua no país.

Nas últimas semanas, centenas de combatentes do Taleban tentaram assumir o controle de mais territórios com ataques contra postos policiais em grandes partes do país. O porta-voz do Ministério do Interior Sediq Sediqi confirmou que o Taleban lançou múltiplos ataques - auxiliados, segundo ele, pela Al-Qaeda e pela rede terrorista paquistanesa Haqqani - mas insistiu que as forças afegãs estavam dando conta.

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"O inimigo não foi capaz de controlar um único distrito, nem mesmo um posto policial", disse Sediqi, acrescentando que somente na semana passada, as forças de segurança mataram 196 integrantes do Taleban e prenderam outros 117.

O Taleban confirmou na segunda-feira que enviou uma delegação ao Irã para três dias de diálogos, sinalizando que Teerã poderia estar buscando desempenhar o papel de mediador regional nas negociações para o fim da guerra de 12 anos no país vizinho.

O porta-voz Qari Yousef Ahmadi disse em um email que emissários do gabinete político do Taleban se encontraram com autoridades iranianas no fim de semana. Ele disse que um grupo separado de clérigo do Taleban participaram de uma conferência religiosa em Teerã.

Uma agência de notícias iraniana disse no sábado que Teerã havia abrigado uma delegação do Taleban - uma atitude sem precendentes, uma vez que o Taleban sunita é inimigo do Irã xiita.

Com AP

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